Hospital Heliópolis mantém superlotação após terceirização, com pacientes em macas nos corredores
Hospital Heliópolis com pacientes em macas após terceirização

Hospital Heliópolis enfrenta crise de superlotação mesmo após terceirização da gestão

O Hospital Heliópolis, localizado na Zona Sul de São Paulo e que completa 58 anos neste mês, continua a enfrentar graves problemas de superlotação e atendimento precário, mesmo após a terceirização de sua administração. Imagens gravadas por acompanhantes e trabalhadores mostram pacientes em macas espalhadas pelos corredores, em condições consideradas inadequadas e preocupantes para a saúde pública.

Relatos de pacientes e familiares expõem situação crítica

A mãe do motoboy Reginaldo Avelino Santana, de 80 anos, passou horas em uma maca no corredor do hospital. Segundo ele, a idosa ficou das 11h às 18h sem receber medicação, um descaso que ele classifica como inaceitável. Reginaldo afirma que outros pacientes também permaneceram por horas nos corredores, sem acomodação adequada ou assistência médica imediata.

A cozinheira Maria Damasceno de Santana relatou ter deixado o hospital chorando ao ver a quantidade de pessoas aguardando atendimento nos corredores. "A situação é diferente de qualquer outra que já presenciei em unidades de saúde", disse ela, destacando a gravidade do cenário atual.

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Terceirização e obras inacabadas agravam a crise

Funcionários ouvidos sob condição de anonimato afirmam que a lotação aumentou significativamente após a terceirização da gestão do hospital, realizada no fim de agosto do ano passado. Desde então, a administração passou a ser responsabilidade do Hospital Israelita Albert Einstein, mas os problemas persistem.

Além da superlotação, há andares inteiros sem uso no Hospital Heliópolis. Os espaços foram fechados em 2024 para reformas necessárias para obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). As obras, que deveriam ter sido concluídas em 2025, ainda não foram finalizadas, deixando corredores vazios, quartos sem utilização e equipamentos como aparelhos de raio-X e tomografia armazenados desde o início das intervenções.

Problemas recorrentes e falta de médicos

Esta não é a primeira vez que problemas são registrados na unidade. Em dezembro do ano passado, uma reportagem da TV Globo mostrou médicas que deveriam estar de plantão fazendo pilates e compras fora do hospital. No mês passado, novas imagens exibiram infiltrações, bolor e corredores cheios, reforçando a deterioração das condições.

Pacientes também relatam falta de médicos. Uma diarista afirmou que muitos profissionais deixaram a unidade e que, em alguns casos, pessoas chegam ao hospital sem serem informadas sobre a indisponibilidade de atendimento, aumentando a frustração e os riscos à saúde.

Impacto nas ambulâncias e resposta das autoridades

Parte das macas usadas nos corredores pertence a ambulâncias que aguardam a transferência dos pacientes para leitos. Enquanto a maca não é liberada, os veículos não podem deixar o hospital. Na tarde desta terça-feira (15), pelo menos nove ambulâncias estavam paradas no estacionamento da unidade, indicando um gargalo no sistema de emergência.

Procurada, a Secretaria Estadual da Saúde informou, em nota, que monitora continuamente o plano de trabalho da organização social responsável pela gestão do hospital para que providências sejam adotadas imediatamente diante dos problemas apontados. A pasta afirmou ainda que a unidade passa por obras de ampliação e renovação de equipamentos e que 50 novos leitos devem ser entregues até setembro, uma promessa que aguarda concretização para aliviar a crise.

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