Vazamentos de esgoto em Altamira causam crise de saúde e ambiental no Pará
Crise de esgoto em Altamira afeta saúde de moradores

Crise sanitária em Altamira: vazamentos de esgoto afetam saúde e qualidade de vida

A cidade de Altamira, localizada no sudoeste do estado do Pará, enfrenta uma grave situação relacionada à sua rede de esgoto. Problemas recorrentes de vazamentos têm prejudicado significativamente o dia a dia dos moradores, gerando transtornos que vão desde o mau cheiro insuportável até sérias questões de saúde pública.

Impactos diretos na saúde e no cotidiano das famílias

Os vazamentos na rede de esgoto, que se intensificaram com o inverno amazônico – período de chuvas mais frequentes na região –, transformaram áreas residenciais em verdadeiros criadouros de mosquitos. Moradores relatam que o uso de inseticidas já não é mais eficaz para conter a infestação, agravando ainda mais o cenário de desconforto e risco.

Um dos locais mais críticos é uma Estação de Tratamento de Esgoto que, em vez de cumprir sua função, tem sido fonte constante de problemas. Sônia de Rezende, professora aposentada que reside a aproximadamente 10 metros da estação, descreve a realidade enfrentada pelas famílias do entorno:

"A gente acorda com o mau cheiro na casa da gente. Na hora de se alimentar, fica sentindo o mau cheiro e, às vezes, abandona a comida. Não tem como sobreviver nisso. Essa situação tem causado grandes problemas de saúde".

Suspensão de contaminação do lençol freático e riscos à saúde

A professora aposentada, que atualmente faz tratamento para alergias na pele, acredita que o lençol freático da região pode ter sido contaminado pelos dejetos. Essa preocupação é compartilhada por outros moradores, como a funcionária pública Rosana Barbosa, que alerta sobre a qualidade da água consumida pelas famílias:

"Aqui nós usamos poços e, com certeza, essa água não está mais sadia para nos alimentarmos dela".

Na Rua Alberto Garcia, no Bairro Independente 1, a situação é particularmente dramática. As tubulações da rede de esgoto não suportaram a pressão e estouraram, fazendo com que os dejetos escoem pela rua 24 horas por dia. Os vazamentos, que começaram pela calçada, se espalharam rapidamente, tornando o local impróprio para circulação e convivência.

Reclamações e busca por soluções junto ao poder público

Os moradores afetados se uniram para cobrar uma resposta efetiva tanto da Prefeitura de Altamira quanto do Ministério Público. No entanto, até o momento, não houve avanços significativos na resolução do problema. Rosana Barbosa expressa a frustração da comunidade:

"Estamos há muito tempo pedindo este socorro, não poderíamos mais estar nessa situação".

Os vazamentos persistem há mais de um mês, com os dejetos sendo despejados diretamente na via pública, em frente às residências. Além do odor nauseante, a área se tornou um foco de proliferação de insetos, representando um verdadeiro pesadelo para as famílias que ali vivem.

Posicionamento da prefeitura e falta de prazo para normalização

Em nota oficial, a Prefeitura de Altamira, por meio da Companhia de Saneamento de Altamira (COSALT), informou que a bomba da Estação Elevatória de Esgoto do Bandeirão apresentou uma falha operacional no dia 6 de janeiro. De acordo com a COSALT, o equipamento foi removido por uma empresa terceirizada contratada para a manutenção, e será reinstalado após os reparos necessários.

Contudo, a prefeitura não forneceu um prazo concreto para a conclusão dos serviços e o restabelecimento pleno do sistema. Essa falta de transparência quanto ao cronograma de solução mantém os moradores em um estado de incerteza e desamparo, agravando ainda mais a crise sanitária que assola a região.

A situação em Altamira evidencia a urgência de investimentos em infraestrutura de saneamento básico, não apenas para melhorar a qualidade de vida da população, mas também para prevenir riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Enquanto isso, as famílias continuam convivendo diariamente com as consequências de um problema que parece distante de uma resolução definitiva.