Uso de cigarros eletrônicos quase dobra entre menores no Brasil, apesar de proibição
Cigarros eletrônicos quase dobram entre menores no Brasil

Uso de cigarros eletrônicos quase dobra entre menores no Brasil, apesar de proibição

Mesmo com a proibição vigente no país, o consumo de cigarros eletrônicos entre menores de idade registrou um crescimento alarmante nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a experimentação dos chamados 'vapes' praticamente dobrou entre 2019 e 2024, passando de 16,8% para 29,6% entre estudantes de 13 a 17 anos.

Crescimento preocupante em todas as regiões

O levantamento revela um cenário preocupante em todo o território nacional. Enquanto houve redução no consumo de cigarro convencional, álcool e drogas ilícitas no mesmo período, os cigarros eletrônicos apresentaram uma trajetória inversa. O crescimento foi observado em todas as grandes regiões do país, com destaque para o Centro-Oeste (42,0%) e Sul (38,3%), que concentram os maiores percentuais. Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) apresentam os menores índices, mas ainda assim significativos.

Perfil dos usuários e fatores de risco

A pesquisa identificou padrões específicos no uso desses dispositivos. A experimentação é mais frequente entre meninas (31,7%) do que entre meninos (27,4%). Além disso, estudantes da rede pública (30,4%) apresentam maior índice em comparação aos da rede privada (24,9%). Segundo especialistas, diferentes fatores contribuem para esse avanço, incluindo influência do grupo social, facilidade de acesso e uma falsa percepção de que se trata de um produto menos nocivo à saúde.

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Mônica Andreis, diretora-presidente da ACT Promoção da Saúde, explica que "os cigarros eletrônicos são vendidos com sabores e aromas que mascaram seus riscos, mas é importante destacar que podem causar danos significativos à saúde, tanto no curto quanto no longo prazo, comprometendo pulmão, coração e outros órgãos".

Contexto regulatório e desafios

O Brasil mantém um marco regulatório restritivo em relação aos cigarros eletrônicos. O país é signatário da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS), que orienta medidas de redução do consumo, e a legislação proíbe a venda de produtos derivados do tabaco a menores de 18 anos. Resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atualizadas em 2024, mantêm a proibição da fabricação, importação, comercialização, propaganda e distribuição de cigarros eletrônicos, reforçando uma norma em vigor desde 2009.

No entanto, o cenário brasileiro acompanha uma tendência global monitorada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta para estratégias de mercado direcionadas ao público jovem e para o risco de retrocesso nas políticas de controle do tabagismo.

Necessidade de ações mais efetivas

Diante desse quadro, especialistas defendem o fortalecimento das políticas públicas. Andreis argumenta que "é importante avançar em campanhas de conscientização, intensificar a fiscalização e coibir a propaganda ilegal, especialmente no ambiente digital. Também é necessário enfrentar a desinformação que ainda circula sobre esses produtos e adotar medidas mais contundentes para desestimular o consumo".

As principais recomendações incluem:

  1. Intensificação da fiscalização em pontos de venda e plataformas digitais
  2. Campanhas educativas direcionadas ao público adolescente
  3. Combate à desinformação sobre os riscos dos cigarros eletrônicos
  4. Fortalecimento das políticas de controle do tabagismo
  5. Maior articulação entre órgãos de vigilância sanitária e educação

O crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre menores representa um desafio significativo para a saúde pública brasileira, exigindo respostas coordenadas e efetivas para proteger as novas gerações dos riscos associados a esses dispositivos.

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