Acreano com aneurisma em Portugal: família luta por repatriamento e assistência médica
A família do mecânico acreano Jair Maciel de Sales Júnior, de 28 anos, enfrenta uma batalha emocional e burocrática para trazer o jovem de volta ao Brasil. Ele está internado há meses em hospitais portugueses após ser diagnosticado com um aneurisma dissecante da aorta, uma condição cardiovascular grave caracterizada pela dilatação anormal e ruptura da parede da principal artéria do corpo.
Internação prolongada e transferências hospitalares
Até este sábado (28), Jair permanece na Unidade de Terapia Intensiva do Centro Hospitalar Universitário de Santo António, no Porto. Sua irmã, Ana Clara de Lima Queiroz, confirmou que ele foi transferido na última quarta-feira (25) do Hospital Universitário de São João, onde ficou cerca de três meses. A situação é considerada estável, mas ainda delicada, com o paciente sentindo dores intensas que exigem administração diária de morfina.
"Meu irmão está enfrentando uma situação de saúde muito grave. O que mais dói é a sensação de negligência e de não saber se ele está recebendo o cuidado que realmente precisa. A nossa família está sofrendo muito", desabafou Ana Clara emocionada.
Falta de assistência consular e burocracia
Apesar das alegações do Itamaraty de que presta "assistência consular cabível, incluindo orientação jurídica", a família nega ter recebido apoio efetivo. Em resposta a um e-mail enviado pela irmã Fernanda Lima Queiroz em 19 de março, o Consulado do Brasil no Porto declarou não ser competente para tratar da questão, limitando-se a orientar o envio de mensagem ao hospital para gerar provas.
A situação é agravada pela condição migratória irregular de Jair, que entrou em Portugal como turista e ultrapassou o prazo de permanência de 90 dias. Seu passaporte também venceu em fevereiro, complicando ainda mais o processo de repatriamento.
Histórico médico e síndrome familiar
O caso começou em 20 de dezembro, quando Jair passou mal durante sua primeira viagem internacional. Ele havia saído de Rio Branco em 4 de novembro para visitar amigos no Porto. Imediatamente internado na UTI, recebeu o diagnóstico de dissecção da aorta.
Desde então, a cirurgia necessária foi sucessivamente adiada por diferentes justificativas médicas: falta de equipamento, necessidade de estabilização da pressão arterial e, finalmente, alegação de que o hospital não realizava o procedimento.
Os irmãos são portadores da síndrome de Marfan, condição genética que se manifesta através de problemas cardiovasculares. "Provavelmente, esse aneurisma tem a ver com a síndrome que veio da família da minha mãe", explicou Ana Clara, destacando que entre cinco filhos, apenas ela, Jair e outra irmã apresentam as características da condição.
Campanha familiar e busca por soluções
Sem familiares em Portugal, Jair tem sido cuidado por um casal de amigos. A família iniciou campanhas para custear despesas e busca apoio das autoridades brasileiras para intermediar o caso. A mãe do paciente, que é enfermeira, viaja para Portugal no dia 3 de abril em busca de respostas e providências.
Houve tentativas frustradas de encaminhar Jair para tratamento na Alemanha e Suíça, e até o momento não há definição sobre a realização da cirurgia necessária. A família continua lutando contra o tempo e a burocracia para garantir que o acreano receba atendimento médico adequado e possa retornar ao Brasil.



