Ácido Hialurônico: Os Riscos da Busca pela Beleza Perfeita em Clínicas de Estética
Riscos do Ácido Hialurônico em Clínicas de Estética

A Febre do Ácido Hialurônico e Seus Perigos Ocultos

O ácido hialurônico transformou-se em uma verdadeira febre global no universo da estética, sendo promovido como solução mágica para rejuvenescer e preencher diversas regiões do corpo. Desde o rosto até os glúteos, essa substância conquistou espaço em clínicas e consultórios, mas seu uso indiscriminado e a atuação de profissionais sem qualificação adequada expõem pacientes a riscos significativos, que vão desde resultados artificiais até complicações graves de saúde.

O Fenômeno Global e Seus Números Impressionantes

Trata-se de um fenômeno que ultrapassa fronteiras, com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética registrando mais de 5 milhões de procedimentos realizados anualmente em todo o mundo. O aumento na procura chega a impressionantes 30% ao ano, impulsionado por anônimos e influenciadores digitais que propagam os benefícios do ativo nas redes sociais. No Brasil, essa tendência ganhou força especialmente durante o Carnaval, onde o ácido hialurônico foi utilizado para realçar glúteos de passistas e celebridades.

O trunfo dessa substância reside em sua presença natural no organismo humano, onde atua na retenção de água, hidratação e sustentação da pele. Com o envelhecimento, essas funções diminuem, criando a demanda por reposição através de versões sintéticas. A versatilidade do ácido hialurônico permite sua aplicação em injeções para suavizar linhas de expressão, preencher lábios e olheiras, além de estar presente em cremes e séruns com ação antienvelhecimento.

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Os Riscos do Uso Indiscriminado

Entretanto, a popularização trouxe consigo um uso potencialmente perigoso. Aplicações em doses inadequadas, em locais não recomendados e realizadas por profissionais sem credenciais adequadas têm levado a complicações sérias. Consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos estão repletos de pacientes buscando corrigir excessos e falhas de procedimentos anteriores, onde lábios e bochechas apresentam aspecto artificial e desproporcional.

"O que se vê é um problema de saúde pública", alerta a médica Lilia Guadanhim, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O cenário inclui profissionais formados em cursos de fim de semana, produtos adulterados e até alternativas com efeitos permanentes, como o PMMA, proibido mas vendido como se fosse ácido hialurônico.

Aplicações Corporais e Preocupações Específicas

Quando a aplicação sai da esfera facial e migra para o corpo, como no caso da "harmonização glútea", os riscos aumentam significativamente. Não existem produtos com ácido hialurônico aprovados no Brasil para uso corporal, sendo que os protocolos para glúteos utilizam doses que partem de 30 mililitros para cada lado, contra poucos mililitros utilizados no rosto.

"Não temos ainda pesquisas robustas sobre a segurança no longo prazo com essas quantidades", afirma a dermatologista Alessandra Romiti, do Departamento de Cosmiatria da SBD. As principais preocupações incluem necrose da pele e até casos de cegueira devido à aplicação incorreta em áreas sensíveis.

O Caminho para o Uso Seguro

Para aproveitar os benefícios do ácido hialurônico sem cair nas armadilhas que têm se multiplicado, especialistas recomendam:

  1. Consultas médicas detalhadas com profissionais qualificados
  2. Investigação das causas do envelhecimento da pele antes de qualquer procedimento
  3. Evitar a repetição automática de procedimentos sem avaliação adequada
  4. Reconhecer que o ácido hialurônico não é a única opção disponível para cuidados estéticos

O mercado mundial de ácido hialurônico deve dobrar de valor até 2028, atingindo 26 bilhões de reais, mas esse crescimento precisa ser acompanhado por maior conscientização sobre os riscos e a importância do uso responsável. A beleza a qualquer custo pode ter preços altos demais quando a saúde está em jogo.

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