Ciência comprova: amizade entre mulheres gera oxitocina e reduz estresse
Amizade feminina produz hormônio que reduz estresse, diz ciência

Estudos científicos comprovam benefícios da amizade entre mulheres para a saúde

Novas pesquisas realizadas pela IE University da Espanha e pela Universidade da Califórnia estão demolindo preconceitos históricos ao demonstrar, com base científica, que a amizade entre mulheres traz benefícios concretos para a saúde mental e física. Os estudos revelam que esses laços produzem oxitocina, hormônio conhecido por tranquilizar e reduzir significativamente os níveis de estresse.

Descobertas que mudam paradigmas

A pesquisadora Silvia Centeno, da IE University, comparou o comportamento de alunos e alunas através de entrevistas e observação sistemática. As mulheres relataram níveis mais elevados de cansaço mental, autocrítica e solidão em comparação com os homens, mas demonstraram maior facilidade em buscar apoio entre amigas como mecanismo eficaz de enfrentamento e recuperação emocional.

Esses achados ecoam um estudo paradigmático publicado em 2000 na Psychological Review pelas psicólogas Shelley Taylor e Laura Cousino Klein da Universidade da Califórnia. Elas propuseram o conceito de "tend and befriend" (cuidar e criar conexões), que substitui o modelo tradicional de "luta ou fuga" predominantemente baseado em pesquisas com homens.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O papel da oxitocina na regulação emocional

Nesse processo de conexão feminina, o organismo produz oxitocina, hormônio intimamente associado ao apego, confiança e modulação das preocupações. A psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani Ramos explica: "O grupo feminino, diferente do masculino, acolhe o conflito emocional. Quando uma mulher fala da sua dor e a outra se reconhece ali, há uma simulação de experiência que a prepara para enfrentar o próprio desafio."

Exemplos reais que confirmam a ciência

A trajetória das psicólogas paulistas Serena Soares, 23 anos, e Gabriela Navarro, 25 anos, ilustra perfeitamente esses benefícios. Amigas há seis anos, elas consolidaram uma parceria que serve como porto seguro durante transições da vida adulta. "A Serena foi a primeira amizade em que eu me senti vista e admirada por ser quem sou", afirma Gabriela.

Outro exemplo marcante vem de um grupo de cinco mulheres que mantém proximidade há mais de quatro décadas: Carla Paes de Almeida Passos (engenheira), Roberta Xella de Barros (dentista), Luciana Gonçalves Frei (jornalista), Cintia dos Santos Monteiro (arquiteta) e Silvana Miyashita (profissional de processamento de dados). Recentemente, quando o marido de Luciana foi diagnosticado com câncer, as amigas se mobilizaram imediatamente para oferecer apoio concreto e emocional.

Impacto social e reconhecimento científico

A nomeação científica de algo que sempre existiu na experiência feminina, mas que era frequentemente tratado com desdém, ganha agora contornos explícitos e respaldo acadêmico. Os estudos demonstram que:

  • A aproximação social funciona como mecanismo eficaz de regulação emocional
  • Os benefícios são particularmente significativos entre mulheres
  • Esses laços atravessam gerações e situações de vida diversas
  • A produção de oxitocina tem efeitos mensuráveis na redução do estresse

Como observou a escritora e ativista Maya Angelou: "No arco-íris da vida, as amigas são as cores que brilham mesmo quando o céu está cinza." A ciência agora confirma poeticamente o que a experiência feminina sempre soube intuitivamente.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar