The New York Times analisa a 'monogamia unilateral' proposta pela comunidade red pill
NY Times analisa 'monogamia unilateral' da comunidade red pill

The New York Times analisa a 'monogamia unilateral' proposta pela comunidade red pill

Um olhar jornalístico sobre relacionamento, sexo e comportamento revela um debate atual sobre modelos não convencionais de convivência afetiva. O conceito de "monogamia unilateral", difundido em comunidades masculinistas online conhecidas como manosfera, ganhou destaque após uma publicação do The New York Times e o lançamento do documentário "Por dentro da manosfera" na plataforma Netflix.

O que é a monogamia unilateral?

Na prática, trata-se de uma relação heterossexual em que a exclusividade sexual é exigida apenas de um lado, especificamente da mulher, enquanto o homem goza de liberdade total para aventuras extraconjugais. Em uma das cenas do documentário de Louis Theroux, o influenciador Justin Waller, figura proeminente da manosfera, descreve essa dinâmica com clareza: "Mulheres não querem dormir com outros homens quando amam um homem", afirmou, defendendo que apenas o parceiro masculino teria permissão para múltiplos envolvimentos.

Críticas do The New York Times e especialistas

O jornal americano trouxe à tona ressalvas importantes sobre esse modelo. James Bloodworth, autor do livro "Lost Boys: A Personal Journey Through the Manosphere", criticou a base pseudocientífica do argumento: "No universo da manosfera, há muita psicologia evolucionária grosseira, onde eles se agarram a explicações pseudocientíficas", explicou em entrevista.

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A socióloga Elisabeth Sheff, especialista em não monogamia ética, acrescentou que relações assimétricas podem existir, mas desde que fundamentadas em acordo mútuo, não em imposição de gênero. "A ideia de que é inevitável que as mulheres não queiram múltiplos parceiros é absolutamente falsa", enfatizou ao periódico, destacando a importância do consentimento e da equidade nas dinâmicas relacionais.

O contexto da manosfera

A manosfera é um ambiente de subculturas anti-feministas cultivado principalmente online, que frequentemente destila ódio contra mulheres e promove visões tradicionais de gênero. O documentário de Theroux explora esse universo, mostrando como conceitos como a monogamia unilateral são propagados e normalizados em certos círculos.

Especialistas alertam que, embora discussões sobre não monogamia sejam válidas, é crucial diferenciá-las de estruturas que reforçam desigualdades. A reportagem do The New York Times serve como um contraponto importante, trazendo vozes acadêmicas e críticas para um debate que muitas vezes ocorre em espaços fechados e polarizados.

Este tema ressalta a complexidade dos relacionamentos contemporâneos e a necessidade de diálogos baseados em respeito e evidências, longe de dogmas e imposições.

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