Nesta terça-feira (5), Dia Mundial da Lavagem das Mãos, imagens raras de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foram divulgadas. O ídolo, que morreu em 2022, participou de uma campanha voltada para profissionais de saúde do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, com o objetivo de reforçar a importância da higienização das mãos, especialmente no ambiente hospitalar.
O vídeo foi exibido em 2015 aos profissionais do hospital curitibano e, posteriormente, na Conferência Internacional sobre Prevenção e Controle de Infecções, em Genebra, na Suíça.
Pelé e a saúde infantil
Conhecido como "Rei do Futebol" e considerado um dos maiores atletas da história, Pelé dedicou grande parte de seus esforços após a aposentadoria a causas voltadas para a saúde e o bem-estar infantil. Entre elas, destaca-se o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, fundado em 2006 dentro do maior hospital pediátrico do país. O instituto atua no desenvolvimento de estudos científicos que contribuem com a saúde de crianças e adolescentes em todo o Brasil. O jogador afirmou ter "emprestado" seu nome por acreditar na capacidade do Complexo Pequeno Príncipe de transformar vidas.
Exemplo a ser seguido
A médica Heloísa Giamberardino, atual responsável pelo Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar (SECIH) do Pequeno Príncipe, foi a pessoa encarregada de ensinar o Rei do Futebol a forma adequada de higienizar as mãos. Segundo ela, a ideia surgiu quando a equipe soube que o jogador visitaria o hospital. "A ideia foi super bem recebida pelo Pelé. Ele logo aderiu. Tudo que era pela saúde das crianças, ele sempre estava muito receptivo", lembra.
A higienização das mãos é uma ação consolidada na rotina das equipes hospitalares, mas a campanha estrelada por Pelé incentiva e reforça sua importância entre os profissionais da saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a higienização adequada das mãos previne até 50% das infecções evitáveis adquiridas durante a prestação de cuidados de saúde, tanto em hospitais quanto em outros estabelecimentos. As mãos são a principal via de transmissão de micro-organismos causadores de doenças, como bactérias e vírus.
"É uma ação muito simples, muito básica, mas que traz muito resultado. Uma ação individual que traz proteção para o coletivo", defende Giamberardino. Assim como Pelé foi exemplo no futebol, os profissionais de saúde também são modelos para pacientes. A médica destaca que a permanência no hospital é uma oportunidade para receber orientações de educação em saúde. "Trabalhamos muito com pacientes, pais e acompanhantes sobre higiene das mãos antes das refeições, após usar o banheiro, após tossir, em vários momentos. Para as crianças, temos desenhos que mostram os momentos corretos de higienizar as mãos", detalha.
Ação anual no hospital
Todo ano, no Dia Mundial da Lavagem das Mãos, o Hospital Pequeno Príncipe reforça a importância da atitude com uma ação do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar. A equipe utiliza uma luz ultravioleta que mostra se as mãos estão realmente higienizadas. Caso não estejam, a ferramenta indica onde o colaborador precisa ter mais atenção, e a equipe orienta sobre a higienização correta.
Como lavar as mãos adequadamente, segundo a OMS
- Molhe as mãos e os pulsos com água corrente.
- Aplique sabão suficiente para cobrir as mãos e os pulsos molhados.
- Esfregue todas as superfícies, incluindo costas das mãos, entre os dedos, unhas e punhos, por pelo menos 20 segundos.
- Enxágue abundantemente com água corrente.
- Seque as mãos com pano limpo, toalha de uso individual ou toalha descartável.
A OMS recomenda lavar as mãos por pelo menos 20 a 30 segundos. Uma maneira fácil de cronometrar é cantar a música "Parabéns pra você" duas vezes. O mesmo vale para o álcool em gel: use um desinfetante com pelo menos 70% de álcool e esfregue por pelo menos 20 segundos para garantir cobertura total.
A médica Heloísa Giamberardino explica: "Podemos fazer higiene das mãos com água e sabão ou com álcool em gel. Não precisa ser as duas coisas. Ao usar álcool em gel, estou fazendo desinfecção e antissepsia. Se uso água e sabão, não preciso depois usar álcool em gel, pois já é suficiente para reduzir a carga microbiana".



