SUS incorpora tecnologia inovadora com membrana amniótica para tratamentos de saúde
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a incorporação de uma tecnologia revolucionária na medicina regenerativa: a membrana amniótica. Este tecido, coletado durante o parto com consentimento das doadoras, promete transformar o tratamento de lesões oculares e feridas crônicas, especialmente em pacientes com diabetes.
Decisão histórica da Conitec beneficia milhares de pacientes
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) emitiu parecer favorável na quarta-feira, 15 de abril, abrindo caminho para que esta tecnologia seja disponibilizada gratuitamente para a população. As portarias oficiais estabelecem que a membrana amniótica passa a ser indicada para:
- Transplantes relacionados a feridas crônicas
- Tratamento de pé diabético
- Alterações oculares diversas
Segundo estimativas do Ministério da Saúde, mais de 860 mil pacientes serão beneficiados anualmente com esta incorporação, representando um avanço significativo na assistência à saúde pública brasileira.
Benefícios comprovados na cicatrização e regeneração
A membrana amniótica já era utilizada no tratamento de queimaduras extensas no SUS desde o ano anterior, mas agora sua aplicação se expande para outras áreas críticas. Esta tecnologia apresenta propriedades biológicas únicas que aceleram o processo de cicatrização e reduzem drasticamente o risco de infecções.
"Estamos garantindo mais opções terapêuticas para a assistência, beneficiando pacientes com uma chance de recuperação mais ágil, com a redução das possíveis complicações e infecções", afirmou Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde.
Ela complementou: "Isso significa menos internações prolongadas, menores custos hospitalares e mais qualidade de vida para os pacientes".
Aplicações específicas e resultados promissores
Para pacientes com diabetes que sofrem com pé diabético - condição que pode levar a amputações em casos graves - a membrana amniótica representa uma esperança concreta. O processo de cicatrização de feridas de difícil tratamento pode ser até duas vezes mais rápido com esta tecnologia, reduzindo significativamente o risco de complicações.
No campo da oftalmologia, as aplicações são igualmente impressionantes:
- Tratamento de lesões nas pálpebras, glândulas lacrimais e região dos cílios
- Redução do risco de novos ferimentos oculares
- Aceleração do processo de cicatrização
- Diminuição de dores e desconfortos
- Melhora na recuperação da superfície ocular
- Aprimoramento da qualidade da visão
O ministério destacou que esta tecnologia se mostra particularmente eficaz para casos mais graves ou que não respondem bem aos tratamentos convencionais, incluindo glaucoma, queimaduras oculares, inflamações, perfurações e úlceras da córnea.
Base científica e processo de coleta
Um artigo publicado na renomada revista científica Springer Nature explica que a membrana amniótica é obtida a partir da camada mais interna da placenta, que envolve o feto durante a gestação. Este tecido possui propriedades biológicas excepcionais que o tornam um biomaterial valioso na medicina regenerativa.
O processo de coleta ocorre exclusivamente com o consentimento prévio e informado das doadoras, seguindo rigorosos protocolos éticos e de segurança. A tecnologia já faz parte da rotina da medicina regenerativa em diversos países devido à sua comprovada atividade anti-inflamatória e cicatrizante.
Esta incorporação pelo SUS representa um marco na democratização do acesso a tratamentos de ponta, alinhando o Brasil com as mais avançadas práticas médicas internacionais enquanto fortalece o sistema público de saúde.



