Estudo questiona eficácia da bandagem elástica funcional usada por atletas
A bandagem elástica funcional, conhecida como kinesio tape, é um acessório comum nos ombros, braços e pernas de atletas de alto rendimento, mas sua eficácia pode ser menor do que se acreditava. Uma análise abrangente de evidências científicas, publicada na revista "BMJ Evidence-Based Medicine", sugere que os benefícios do produto são incertos, especialmente em períodos prolongados.
Revisão de estudos clínicos aponta limitações
Os pesquisadores analisaram 128 revisões sistemáticas, que reuniram 310 ensaios clínicos com quase 16 mil participantes. Eles avaliaram 29 condições musculoesqueléticas diferentes, incluindo:
- Pós-operatório de joelho
- Dor crônica no joelho ou nas costas
- Osteoartrite de joelho
- Cotovelo de tenista (tendinopatia lateral do cotovelo)
- Fascite plantar
A maioria dos trabalhos focou em condições que afetam pernas e pés (45%) e na intensidade da dor (89%). Os resultados indicam que, embora possa haver benefícios imediatos e de curto prazo, as evidências são "muito incertas" para efeitos a longo prazo.
Benefícios a longo prazo são mínimos ou desprezíveis
O estudo destaca que, a médio e longo prazo, a bandagem elástica funcional não apresenta vantagens significativas em funções como:
- Força muscular
- Amplitude de movimento
- Sintomas específicos musculoesqueléticos
"Não há evidências suficientes de que o KT [kinesio tape] melhore a qualidade de vida nesses pacientes", afirmam os pesquisadores na discussão do estudo. Isso levanta dúvidas sobre seu uso rotineiro em tratamentos prolongados.
Riscos e efeitos colaterais associados
Além da eficácia limitada, a revisão alerta para possíveis efeitos colaterais do uso da bandagem. Entre os principais problemas relatados estão:
- Irritação na pele (40%)
- Coceira (30%)
"Embora eventos adversos geralmente desapareçam sem tratamento, irritação na pele e coceira continuam sendo preocupações", destacam os autores. Esses riscos devem ser considerados na decisão clínica.
Recomendações e desafios futuros
Os pesquisadores enfatizam que a revisão "não permite fazer recomendações definitivas sobre o uso do KT em distúrbios musculoesqueléticos", devido à baixa robustez clínica e heterogeneidade dos dados. Eles recomendam que o uso seja feito com cautela, em decisão compartilhada entre profissional e paciente, considerando preferências individuais e alternativas terapêuticas.
Para avançar no entendimento, estudos futuros precisam melhorar a qualidade metodológica e desenvolver novas formas de avaliar benefícios clínicos. Enquanto isso, atletas e profissionais de saúde devem ponderar os prós e contras dessa ferramenta amplamente difundida.



