Gilson Machado enfrenta resistência no Podemos para apoiar Flávio Bolsonaro
Machado não garante apoio do Podemos a Flávio Bolsonaro

Ex-ministro bolsonarista enfrenta obstáculos partidários em apoio a Flávio

Gilson Machado, ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro e conhecido como "sanfoneiro político" do ex-presidente, declarou publicamente seu apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No entanto, sua atual legenda, o Podemos, ainda não confirmou se seguirá a mesma direção, criando um impasse significativo na estratégia eleitoral bolsonarista.

Filiação recente não garante alinhamento automático

Após enfrentar sérias dificuldades no diretório estadual do PL em Pernambuco, Machado desfiliou-se do partido no final de janeiro e anunciou sua filiação ao Podemos após o Carnaval, em evento ao lado da presidente nacional da sigla, Renata Abreu. Imediatamente, iniciou uma campanha aberta por Flávio Bolsonaro, chegando a ser acusado de descumprir a legislação eleitoral.

Contudo, o respaldo partidário a essa posição não será automático. Questionada por VEJA, a assessoria do Podemos afirmou que ainda está sendo cogitado o cenário em que não haverá apoio a Flávio Bolsonaro, tanto no plano estadual quanto nacional, e que as definições oficiais serão tomadas posteriormente.

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Acusações de campanha irregular

O Partido dos Trabalhadores (PT) acusou Machado de realizar campanha eleitoral antecipada e irregular para Flávio Bolsonaro. Em resposta, o ex-ministro negou qualquer ilegalidade, argumentando que os adesivos de divulgação foram produzidos com recursos privados e não continham pedidos explícitos de voto ou números específicos.

"Cada um faz o seu, é um movimento espontâneo", declarou Machado em vídeo ao lado do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga. "Estão nas minhas redes sociais, quem quiser baixe o adesivo de Flávio Bolsonaro, porque é com o dinheiro de cada um que acredita numa pré-campanha. Isso não é ilegal."

Entretanto, em outra gravação também com Queiroga, Machado afirmou claramente: "A gente está aqui nesta campanha. Não tem meu nome, nem o seu, Queiroga. Tem o nome de Flávio, porque a gente tem que correr atrás das eleições de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano." Queiroga complementou com um apelo direto: "Agora, em 2026, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota em Flávio Bolsonaro."

Saída do PL após guerra interna

A desfiliação de Machado do PL ocorreu após intenso conflito no diretório estadual de Pernambuco, onde disputava a indicação para o Senado com o ex-deputado Anderson Ferreira, autor do estatuto da família. Enquanto Machado contava com o apoio declarado de Jair Bolsonaro, Ferreira tinha o respaldo do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, e controlava as decisões sobre candidaturas no estado.

"Minha relação com o [ex-]presidente [Jair Bolsonaro] não é de circunstância", afirmou Machado em carta divulgada à imprensa. "Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão."

Impacto eleitoral em Pernambuco

A candidatura de Machado ao Senado por Pernambuco, agora pelo Podemos, deve dividir os votos da direita bolsonarista no estado, tradicionalmente um reduto da esquerda. Analistas políticos avaliam que essa fragmentação pode favorecer a eleição de senadores alinhados ao projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dificultando ainda mais a construção de uma base sólida para Flávio Bolsonaro na região Nordeste.

Se conseguir alinhar o Podemos à candidatura de Flávio, Machado realizará um dos primeiros movimentos concretos para conquistar apoio de partidos do Centrão à campanha presidencial bolsonarista, que enfrenta resistência significativa do centro político. No entanto, as indefinições partidárias e as acusações de irregularidade eleitoral complicam esse objetivo, revelando as fissuras internas que o bolsonarismo precisa superar antes das eleições de 2026.

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