O patrimônio do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), preso nesta quarta-feira (6) pela Polícia Federal, saltou de 224 mil reais em 2020, quando ele se candidatou a vereador em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, para 1,972 milhão de reais em 2022, ano em que se lançou candidato a deputado estadual. O crescimento representa um aumento de aproximadamente 780% em apenas dois anos.
Bens declarados
Em 2020, Thiago Rangel declarou à Justiça Eleitoral ser proprietário de um jet-ski, dois carros e um posto de combustíveis. Já em 2024, a lista de bens se expandiu significativamente: um jet-ski, cinco carros – incluindo veículos de luxo como Range Rover, Mercedes e Volvo –, a participação no posto de combustíveis, que saltou de 60 mil para 650 mil reais, além de uma nova empresa de serviços terceirizados e um imóvel em condomínio residencial em Campos.
A Polícia Federal também mapeou outros três imóveis ligados ao parlamentar: duas casas em Campos e um apartamento de frente para a praia na Avenida Atlântica, em Copacabana. A investigação aponta que Rangel movimentou um volume tão grande de dinheiro em espécie que foi necessário contratar um cofre inteligente e uma transportadora de valores.
Investigação e prisão
O deputado foi preso em uma nova fase da Operação Unha e Carne, que já havia atingido os ex-deputados TH Joias e Rodrigo Bacellar. Ele é suspeito de operar fraudes em contratos da área de Educação do estado e de envolvimento com o crime organizado. Segundo as investigações, Rangel usava empresas registradas em nome de “laranjas” para receber propinas.
A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a medida necessária para “resguardar a ordem pública e a conveniência da instrução criminal”.
Defesa
Em nota, a defesa do deputado informou que está “se inteirando” do teor da investigação e que “qualquer conclusão antecipada é indevida”. “O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos”, diz a manifestação.



