O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou mudanças significativas no ritmo das investigações sobre o caso do Banco Master. A principal alteração foi a redução do prazo para a oitiva dos investigados, que caiu de cinco para apenas dois dias.
Mudanças no cronograma e local dos depoimentos
Toffoli modificou o cronograma que havia sido estabelecido pela Polícia Federal para a tomada de depoimentos. Agora, os investigadores terão um intervalo de dois dias para ouvir todas as pessoas envolvidas no inquérito que apura a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.
Outra decisão incomum foi a determinação de que os depoimentos sejam colhidos no próprio prédio do Supremo Tribunal Federal, e não nas dependências da Polícia Federal, como é a prática habitual. Integrantes do gabinete do ministro deverão acompanhar os interrogatórios.
Toffoli justificou as alterações citando limitações de pessoal e de salas disponíveis no STF. No entanto, investigadores que atuam no caso consideram o novo prazo de dois dias excessivamente apertado para um processo de tal complexidade. Eles já trabalham para remarcar as oitivas dos dez investigados, incluindo a de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que estava agendada para o final de janeiro.
Inquérito é prorrogado e mira fraude de R$ 2 bilhões
Em resposta a um pedido da Polícia Federal, o ministro Dias Toffoli também autorizou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. A investigação se concentra em suspeitas de milhares de empréstimos consignados irregulares, contraídos em nome de aposentados e pensionistas.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou aproximadamente 250 mil contratos com problemas. Esses documentos apresentam falhas graves, como a ausência de informações essenciais (taxa de juros, por exemplo) ou a falta de comprovação da assinatura do segurado.
A principal dúvida é se os beneficiários realmente contrataram os empréstimos ou se os descontos em seus benefícios foram realizados de maneira indevida, sem autorização prévia. Como medida de precaução, o INSS já suspendeu o repasse das parcelas descontadas para o banco.
Presidente do INSS detalha o caso
Em entrevista ao programa "Em Ponto", da Globonews, na sexta-feira (16), o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, deu mais detalhes sobre a magnitude do caso. Segundo ele, o valor total dos contratos sob suspeita chega a R$ 2 bilhões.
"Tinha feito 254 mil empréstimos consignados. Mais de R$ 2 bilhões em créditos nesse valor para nossos aposentados e pensionistas, que eram descontados mensalmente", afirmou Waller Junior.
Ele explicou que a autarquia interrompeu a liberação dos recursos para o Banco Master ou para o liquidante até que seja comprovada a autenticidade das assinaturas. Uma reunião com o liquidante está marcada para a próxima semana, onde será dado um prazo para regularização.
A intenção do INSS é cancelar os empréstimos que não tiverem a assinatura comprovada como idônea e devolver os valores descontados aos beneficiários. O caso segue sob a supervisão do ministro Toffoli no STF, com a PF correndo contra o novo prazo estabelecido para concluir os depoimentos.