STF notifica Eduardo Bolsonaro por edital para ação penal por crime de coação
STF notifica Eduardo Bolsonaro por edital para ação penal

STF notifica Eduardo Bolsonaro por edital para ação penal por crime de coação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) seja notificado por edital sobre a abertura de uma ação penal pelo crime de coação no curso do processo. A decisão marca um novo capítulo no caso que envolve o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos.

Notificação e prazo para defesa

Com a publicação da notificação no Diário Eletrônico da Justiça, Eduardo Bolsonaro terá um prazo de 15 dias para entregar sua defesa no processo, que foi aberto oficialmente na semana passada. A medida é necessária devido à ausência do ex-parlamentar no país, garantindo que ele tenha conhecimento legal dos procedimentos judiciais em andamento.

A partir de agora, o ex-deputado poderá indicar testemunhas, apresentar provas de inocência e pedir diligências específicas que sejam interessantes para sua defesa. Se optar por não apresentar defesa, o ministro Moraes poderá determinar que a defensoria pública assuma o caso, assegurando o direito à ampla defesa conforme previsto na legislação brasileira.

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Contexto da ação penal

Em novembro do ano passado, por unanimidade, o STF aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apurou a atuação do ex-parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos. As investigações focaram em alegações de que Eduardo Bolsonaro teria promovido ações para incentivar o aumento de tarifas contra as exportações brasileiras, além de buscar a suspensão de vistos de ministros do governo federal e de ministros da Corte.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, o que complica sua participação direta nos processos judiciais no Brasil. Sua ausência também foi um fator em decisões políticas anteriores, como a cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados.

Cassão do mandato e ausências

No final de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu cassar o mandato de Eduardo Bolsonaro. A decisão foi tomada após ele deixar de comparecer a um terço do total de sessões deliberativas da Câmara, conforme prevê a Constituição Federal. O filho de Bolsonaro faltou a 56 das 71 sessões realizadas em 2025, equivalente a 79% das sessões, um índice que ultrapassou significativamente o limite permitido.

Essa cassação reflete as consequências de sua ausência prolongada, que agora se estende ao âmbito judicial com a notificação por edital. O caso ilustra as interseções entre política e justiça, com implicações para a família Bolsonaro e para o cenário político brasileiro.

Investigações paralelas envolvendo a família Bolsonaro

Enquanto isso, outras investigações continuam afetando membros da família Bolsonaro. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) retomou a investigação sobre supostas "rachadinhas" envolvendo Carlos Bolsonaro, ex-vereador e outro filho do ex-presidente. Carlos Bolsonaro afirmou anteriormente que confia em todos os seus funcionários e que os envolvidos demonstrariam a fragilidade da acusação.

A investigação foi enviada para a Promotoria para avaliação sobre novas diligências, após Carlos ter ficado de fora de uma denúncia anterior envolvendo seu gabinete. Esses desenvolvimentos destacam o ambiente de escrutínio legal que persegue figuras políticas ligadas ao bolsonarismo, com múltiplos fronts abertos na justiça.

O caso de Eduardo Bolsonaro, em particular, serve como um exemplo dos desafios enfrentados por autoridades brasileiras ao lidar com réus no exterior, exigindo adaptações processuais como a notificação por edital para garantir a continuidade dos procedimentos legais.

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