PF: Ciro Nogueira recebia R$ 500 mil por mês de Vorcaro em propina
PF: Ciro Nogueira recebia R$ 500 mil por mês de Vorcaro

A Polícia Federal (PF) divulgou que o senador Ciro Nogueira (Progressistas) recebia mensalmente R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, além de vantagens econômicas como viagens internacionais, despesas em restaurantes e estadias em hotéis de luxo. A informação consta na investigação que resultou em uma nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Evidências de propina

Segundo a PF, os pagamentos eram feitos por meio de empresas administradas por parentes de Ciro e de Vorcaro. Uma delas, a BRGD, com sede em Minas Gerais, tinha como diretor um tio de Daniel Vorcaro e foi criada especificamente para os repasses. Em conversas obtidas pela investigação, Vorcaro orienta o primo Felipe Vorcaro a manter os pagamentos mensais ao "parceiro BRGD", mesmo com dificuldades financeiras.

Em janeiro de 2025, Felipe perguntou se poderia continuar enviando recursos para o parceiro BRGD, e Daniel respondeu: "Tem que enviar. Muito importante. Se precisar coloco algo". Em 30 de junho, Daniel se queixou do atraso de dois meses nos pagamentos a "Ciro", questionando se o valor seria de R$ 500 mil ou R$ 300 mil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Vantagens em espécie e viagens

A PF também apontou que Vorcaro custeou hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de alto padrão e outros gastos para o senador e sua acompanhante. Em uma troca de mensagens, um operador de Vorcaro perguntou se deveria continuar pagando as contas dos restaurantes de Ciro e Flávia, ao que Vorcaro respondeu afirmativamente e disse que depois levaria seu cartão para Saint Barths, no Caribe.

Além disso, houve transferência de participação societária em empresas de Vorcaro por valor muito abaixo do mercado. Ações avaliadas em R$ 13 milhões foram vendidas por R$ 1 milhão a uma empresa administrada pelo irmão de Ciro Nogueira.

Atuação no Senado em troca de benefícios

Em troca das vantagens, Ciro Nogueira teria atuado no Senado para favorecer os interesses privados de Vorcaro. Um exemplo é a emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para R$ 1 milhão por depositante, beneficiando diretamente o Banco Master. A PF afirma que o texto foi elaborado pela assessoria do banco, entregue em envelope endereçado a "Ciro" no endereço residencial do senador, e reproduzido integralmente por ele.

Vorcaro comemorou a apresentação da emenda em mensagem à então namorada: "Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica para o mercado financeiro". Em outra ocasião, ele chamou o senador de "um dos meus grandes amigos de vida".

Defesa de Ciro Nogueira

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, negou as acusações. "Ele certamente não recebia nenhuma mesada e nesse valor", afirmou, classificando as buscas como invasivas. O senador também disse colaborar com a Justiça e negou participação em atividades ilícitas.

Na decisão de quinta-feira (7), o ministro André Mendonça proibiu Ciro Nogueira de se comunicar com outros investigados e determinou que o irmão do senador use tornozeleira eletrônica.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar