Prefeito do Rio lança Força Municipal em meio a disputa política pela segurança
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), inaugurou oficialmente o policiamento da Força Municipal nas ruas da capital, marcando uma nova fase na gestão da segurança pública. A ação ocorreu no domingo, 15 de março de 2026, com agentes armados de pistolas atuando em regiões estratégicas do Centro e de Ipanema, na Zona Sul da cidade.
Estratégia eleitoral e confronto com o governo estadual
Pré-candidato a governador, Paes pretende transformar a Força Municipal em sua principal vitrine durante a campanha eleitoral, que promete ser dominada pelo tema da segurança. Em discurso recente, o prefeito endureceu as críticas ao governo de Cláudio Castro (PL), afirmando que "ao longo das últimas décadas, o Rio tem passado por sucessivas experiências de governantes, especialmente governadores, que prometem resolver esse problema da segurança pública. Infelizmente, o que a gente vê é a situação cada vez mais piorar".
Para Paes, que deve enfrentar o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL), nas eleições de outubro, "a segurança é o maior desafio desse estado". O embate político entre os grupos de Paes e Castro se intensificou nos últimos dias, especialmente após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), acusado de pedir autorização ao Comando Vermelho para fazer campanha na Gardênia Azul.
Operação inicial e expansão planejada
A Força Municipal conta atualmente com 600 guardas já formados para integrar a divisão de elite. No primeiro dia de operação, o roteiro incluiu:
- Região da Rodoviária do Rio
- Terminal Gentileza
- Estação Leopoldina
- Entorno do Jardim de Alah
A estratégia de policiamento segue a mancha criminal identificada na cidade, com foco principal na prevenção de furtos e roubos. No primeiro dia de atuação, não foram registradas prisões, mas a prefeitura promete expandir a operação para outras 20 áreas já mapeadas, incluindo regiões da Tijuca, na Zona Norte do Rio.
Contexto político e acusações mútuas
O lançamento da Força Municipal ocorre em um momento de tensão política no estado. Após a prisão do vereador Salvino Oliveira, que foi solto na sexta-feira após a Justiça revogar sua prisão temporária, Paes e seus aliados passaram a acusar o governador Cláudio Castro de usar politicamente a Polícia Civil.
Em resposta, Castro postou um vídeo com a ação contra Salvino, chamando o vereador de "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". Esta troca de acusações reflete um cenário mais amplo de investigações sobre ligações entre políticos e facções criminosas, na esteira do escândalo envolvendo TH Joias e o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
A narrativa sobre as conexões entre política e crime organizado promete ser amplamente explorada pelo campo de Paes durante a campanha eleitoral, colocando a segurança pública no centro dos debates e refletindo o medo da população em relação à violência urbana.



