Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle Franco para presídio no Rio
Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle

Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle Franco para presídio no Rio

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, a transferência de dois condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco para um presídio no Rio de Janeiro. A decisão atendeu a um pedido formal das defesas dos réus e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Detalhes da decisão judicial

Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa, que estavam encarcerados em unidades prisionais federais de segurança máxima, serão transferidos para o presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo Penitenciário de Gericinó, na capital fluminense. Em sua fundamentação, Moraes explicou que a mudança se baseia na alteração dos cenários "jurídico e fático" do caso.

O magistrado destacou que, inicialmente, a prisão preventiva em presídios federais era necessária porque os acusados "integravam o topo de uma estrutura extremamente violenta, o que tornava imprescindível sua inclusão imediata em penitenciária federal". No entanto, com as condenações definitivas, esse panorama se modificou substancialmente.

Justificativa para a transferência

Segundo a decisão do ministro do STF, não existem mais riscos concretos à segurança pública ou à integridade da execução penal que justifiquem a manutenção dos condenados em estabelecimentos prisionais federais. A transferência representa uma adequação do regime de cumprimento de pena à nova realidade processual, após o trânsito em julgado das condenações.

O caso Marielle Franco, que completa oito anos em 2026, continua sendo um dos episódios mais emblemáticos da história recente do país, mobilizando atenções nacionais e internacionais sobre questões de justiça, segurança pública e direitos humanos.

Contexto das condenações

Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa foram condenados em fevereiro de 2026 pelo assassinato de Marielle Franco, ocorrido em março de 2018. Brazão recebeu condenação por três crimes distintos:

  • Homicídios triplamente qualificados de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes
  • Tentativa de homicídio triplamente qualificado de Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu ao ataque
  • Organização criminosa

Em relação a Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os ministros do STF concluíram que não havia provas suficientes sobre sua participação direta no planejamento do crime. No entanto, o delegado foi condenado por utilizar seu cargo público para obstruir as investigações após o assassinato da vereadora.

A decisão de Moraes marca mais um capítulo no longo processo judicial que busca esclarecer completamente as circunstâncias do crime que tirou a vida da vereadora e de seu motorista, um caso que se transformou em símbolo da luta por justiça e transparência nas instituições brasileiras.