Desembargador de Minas Gerais é afastado por suspeita de crimes sexuais
A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou nesta sexta-feira, 27 de setembro, o afastamento imediato do desembargador Magid Nauef Láuar, que atuava na 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A decisão foi tomada após o Conselho identificar o que classificou como "indícios de delitos contra a dignidade sexual" supostamente praticados pelo magistrado durante seu período como juiz nas cidades de Ouro Preto e Betim, no estado mineiro.
Investigação envolve múltiplas vítimas e fatos recentes
De acordo com nota oficial divulgada pelo CNJ, ao menos cinco vítimas já foram ouvidas no âmbito das investigações, sendo que uma delas se encontra no exterior. O documento destaca que, embora parte dos eventos relatados possa ter sido alcançada pela prescrição penal devido ao longo tempo decorrido, foram identificados "fatos mais recentes, ainda não abarcados pela prescrição", o que justifica a continuidade das apurações.
O texto do CNJ esclarece que "procedimentos disciplinares não configuram juízo prévio de culpa, mas têm como objetivo preservar a credibilidade da magistratura, assegurar o regular funcionamento da Justiça e manter a confiança da sociedade no Poder Judiciário".
Operação da Polícia Federal e origem das investigações
Por determinação do CNJ, a Polícia Federal (PF) realizou nesta tarde uma operação de busca e apreensão contra o desembargador. Segundo informações de interlocutores da PF, investigadores estiveram presentes no prédio do TJMG para cumprir os mandados judiciais.
As investigações administrativas no âmbito do CNJ e do TJMG tiveram início após denúncias de abuso sexual divulgadas por familiares e ex-funcionárias do desembargador Magid Nauef Láuar. O afastamento foi determinado para garantir que a apuração dos fatos "transcorra de forma livre, sem quaisquer embaraços", conforme justificativa apresentada pelo órgão.
Contexto do caso e desdobramentos
A nota do Conselho Nacional de Justiça menciona que a apuração começou ao examinar possíveis "indícios de teratologia" no voto do magistrado que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. A partir dessa análise, surgiram "desdobramentos" que apontaram para a prática de delitos pelo próprio desembargador.
O caso ganhou repercussão nacional e levanta questões sobre:
- A conduta de magistrados em casos envolvendo crimes sexuais
- Os mecanismos de controle e fiscalização dentro do Poder Judiciário
- A proteção de vítimas em processos judiciais sensíveis
- A transparência nas investigações de autoridades públicas
As investigações continuam em andamento, com a expectativa de que novos detalhes sejam divulgados nas próximas semanas. O desembargador Magid Nauef Láuar permanecerá afastado de suas funções até que seja concluído o processo administrativo no CNJ.



