Toffoli reduz prazo da PF no caso Master; reação à transferência de Bolsonaro
Toffoli altera prazos do inquérito do Banco Master

O cenário político e jurídico brasileiro foi agitado por decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo dois casos de grande repercussão: o inquérito do Banco Master e a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Toffoli encurta prazos e gera atrito com a Polícia Federal

O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou uma mudança significativa no ritmo das investigações do caso Banco Master. Ele reduziu o tempo que a Polícia Federal (PF) terá para ouvir os investigados. O prazo, que antes era de cinco dias, foi encurtado para apenas dois dias.

Esta decisão ocorre após o ministro ter feito críticas públicas à PF na última semana, por conta de um atraso de um dia na operação realizada na quarta-feira anterior. Além de alterar os prazos, Toffoli também indicou os peritos que ficarão responsáveis por analisar as provas apreendidas durante as investigações, uma medida que abriu um claro atrito com a corporação policial.

O inquérito do Master, que investiga supostas irregularidades financeiras, foi oficialmente prorrogado por mais 60 dias e deve seguir, pelo menos, até o mês de março.

Reações à transferência de Bolsonaro para a Papuda

Em outro front do STF, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro para o Complexo da Papuda continuou a gerar reações. Um dia após a mudança, apoiadores do ex-presidente comemoraram a medida, mesmo diante dos vários recados e condições impostas por Moraes.

O pastor Silas Malafaia, histórico aliado de Bolsonaro, atribuiu a transferência a um suposto mérito da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo Malafaia, eles teriam intercedido a favor do ex-presidente junto a ministros do Supremo.

Bolsonaro agora ocupa uma cela de 64 metros quadrados no complexo penitenciário. Em um evento realizado na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a mencionar o nome do adversário, mas não emitiu qualquer opinião sobre a sua transferência de presídio.

Desdobramentos e tensões institucionais

As duas situações ilustram um período de tensões e movimentos rápidos no âmbito do Poder Judiciário e em sua relação com outras instituições. A atuação de Toffoli no caso Master, com a redução de prazos e a indicação direta de peritos, sinaliza um maior controle do ministro sobre o andamento das diligências, um ponto que tende a aumentar o atrito com a PF.

Já a transferência de Bolsonaro, ainda que comemorada por parte de sua base, segue sendo um tema sensível e cercado de narrativas políticas conflitantes, evidenciando as profundas divisões no cenário nacional.