Moraes nega transferência de Bolsonaro após queda na cela; defesa pede exames
Moraes nega transferência de Bolsonaro após queda na cela

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, recusou nesta terça-feira (6) um pedido urgente da defesa para transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro para um hospital. O pedido foi feito após Bolsonaro, que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, sofrer uma queda durante a madrugada e bater a cabeça.

Decisão do ministro e laudo da PF

Em sua decisão, Moraes fundamentou a negativa no laudo médico da própria Polícia Federal. Os peritos da PF atenderam Bolsonaro por volta das 9h e constataram apenas ferimentos leves. O relatório descreveu uma lesão superficial cortante no rosto, na região malar direita, e no hálux (dedão) do pé esquerdo, com presença de sangue.

O ministro destacou que os médicos federais não identificaram necessidade de encaminhamento hospitalar, recomendando apenas observação. "Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital", afirmou Moraes, citando o documento oficial.

No entanto, o ministro reconheceu o direito da defesa, assessorada pelo médico particular de Bolsonaro, de solicitar exames. Ele determinou que os advogados especifiquem quais procedimentos consideram necessários e que se verifique a possibilidade de realizá-los dentro do sistema penitenciário.

Versão da defesa e novo pedido

A defesa de Bolsonaro apresentou uma versão mais grave do ocorrido. Segundo os advogados, o ex-presidente sofreu uma queda em sua cela com impacto craniano. Eles alegaram, com base em um laudo do médico Brasil Ramos Caiado, um quadro clínico compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada à queda, possível crise convulsiva, oscilação transitória de memória e a lesão no rosto.

Diante disso, a equipe de defesa recomendou a realização imediata de exames especializados: tomografia computadorizada do crânio, ressonância magnética e eletroencefalograma. O pedido argumenta que esses procedimentos são essenciais para uma avaliação neurológica adequada e devem ser feitos no Hospital DF Star, onde Bolsonaro tem acompanhamento, para "afastar risco concreto de agravamento".

Após a primeira negativa de Moraes, os advogados juntaram este novo pedido à tarde, que ainda aguarda manifestação do ministro.

Cenário de tensão e histórico de saúde

A movimentação gerou tensão durante o dia. Pela manhã, batedores da Polícia Militar se posicionaram na sede da PF em Brasília para, supostamente, escoltar um comboio que levaria Bolsonaro ao hospital, localizado a cerca de um quilômetro dali. Com a decisão do STF, o esquema foi desmobilizado.

A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi ao Hospital DF Star na expectativa da transferência do marido. Com a negativa, ela retornou à superintendência da PF. Em suas redes sociais, Michelle afirmou que Bolsonaro está de jejum para a realização de exames e relatou que ele "não está bem", tendo tido uma crise, caído e batido a cabeça no móvel enquanto dormia.

Este incidente ocorre no contexto do recente histórico de saúde do ex-presidente. Bolsonaro havia retornado à prisão na PF no dia 1º de janeiro, após passar oito dias internado no mesmo Hospital DF Star. Ele foi tratado de uma hérnia na virilha e de crises de soluço persistentes, sequelas da facada sofrida em 2018. Na ocasião da alta, Moraes também negou um pedido de prisão domiciliar.

O relatório médico da PF, além dos ferimentos, listou algumas hipóteses para o mal-estar que pode ter causado a queda, incluindo interação medicamentosa, possível crise epiléptica, adaptação ao uso de CPAP (um aparelho para auxiliar a respiração) e processo inflamatório pós-operatório. O documento registrou que Bolsonaro estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico no momento do atendimento.