O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez um comentário em tom de brincadeira sobre a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papuda. A declaração ocorreu na noite de quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, durante uma colação de grau em São Paulo.
Declaração jocosa em evento acadêmico
Horas após assinar a decisão que determinou a mudança de Bolsonaro da superintendência da Polícia Federal para uma unidade maior, Moraes discursava para formandos da Turma 194 da Faculdade de Direito da USP. Diante de um auditório lotado, o ministro, que também é professor da instituição, soltou a frase: “Acho que hoje eu já fiz o que tinha que fazer”.
A observação, feita de maneira descontraída, foi recebida com risos, gritos e aplausos pela plateia presente no evento, realizado em uma casa de eventos na zona sul da capital paulista. O momento foi registrado em vídeo e rapidamente se espalhou pelas redes sociais.
Detalhes da transferência e ironias na decisão
Na decisão judicial que ordenou a transferência, assinada mais cedo naquele mesmo dia, Alexandre de Moraes não apenas atendeu a um pedido da defesa, mas também ironizou uma série de exigências e reclamações apresentadas pelos advogados de Bolsonaro. Entre os pontos citados estavam o barulho do ar-condicionado, o horário de visitas, a origem da comida servida e o tamanho da sala onde o ex-presidente cumpria pena.
O ministro foi enfático ao afirmar que Bolsonaro estava cumprindo pena em “condições absolutamente excepcionais e privilegiadas”. Ele ainda ressaltou que a prisão não se tratava de uma “estadia hoteleira” ou de uma “colônia de férias”.
Com a transferência, o ex-presidente passou a ocupar uma cela de 54,7 metros quadrados, com um adicional de 10 metros quadrados de área externa, na unidade conhecida coloquialmente como “Papudinha”.
Repercussão política imediata
A declaração informal de Moraes não passou despercebida no campo político, especialmente entre aliados de Jair Bolsonaro. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu de forma crítica nas redes sociais, escrevendo que “a soberba precede a ruína”.
O parlamentar completou seu comentário afirmando: “Eles juram de pés juntos que são imparciais. Patéticos”. A fala do ministro do STF, portanto, acirrou ainda mais os ânimos em um caso judicial que já é marcado por forte polarização e tensão política.
O episódio ilustra o clima de confronto que permeia o processo judicial envolvendo o ex-presidente, enquanto a defesa continua a buscar recursos e a Justiça mantém suas determinações sobre as condições do cárcere.