O primeiro ministro a deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, Ricardo Lewandowski, resumiu sua experiência na política brasiliense com duas palavras fortes: "cansaço e ressaca". A declaração foi feita a um aliado nesta semana, logo após sua saída do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Da Corte Suprema ao Planalto: uma transição difícil
Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski aceitou o convite de Lula com um objetivo claro: repetir o sucesso de antecessores como Nelson Jobim e Márcio Thomaz Bastos, que marcaram época à frente da pasta em governos petistas anteriores. No entanto, a realidade que encontrou no Palácio do Planalto foi bem diferente da imaginada.
Ao contrário do respeito e da autoridade que desfrutava como magistrado da mais alta corte do país, o agora ex-ministro enfrentou sabatinas duras e reuniões parlamentares tensas. O ambiente político mostrou-se hostil, e a aura de ministro do STF não foi suficiente para blindá-lo das críticas e do desgaste típico da primeira linha do Executivo.
O fogo amigo e os projetos engavetados
Um dos maiores obstáculos durante sua gestão, segundo apurou, veio de dentro da própria base governista. Lewandowski foi boicotado pelo chamado "fogo amigo" petista, que dificultou a implementação de suas principais apostas para a pasta.
As iniciativas consideradas prioritárias pelo ex-ministro acabaram paralisadas na Casa Civil, comandada por Rui Costa. O engavetamento dessas propostas representou um golpe significativo em seus planos para a Justiça e a Segurança Pública, minando sua capacidade de realizar mudanças substantivas.
Legado e resultados da equipe
Apesar das adversidades políticas, a passagem de Lewandowski pelo ministério não foi sem méritos. A gestão colheu bons resultados, atribuídos principalmente ao trabalho dedicado da equipe que ele próprio selecionou e levou para o cargo.
O ex-ministro, que deixou o governo em 10 de janeiro de 2026, demonstrou em seu desabafo o peso da experiência. A frase "cansaço e ressaca" sintetiza o desgaste de um jurista acostumado à relativa independência do Judiciário ao se deparar com os intensos jogos de poder e as lealdades fragmentadas do cenário político brasileiro.