Venezuela pede à ONU libertação imediata de Nicolás Maduro preso nos EUA
Venezuela pede à ONU libertação de Maduro preso nos EUA

Venezuela solicita à ONU libertação imediata de Nicolás Maduro preso nos Estados Unidos

A Venezuela fez um apelo formal às Nações Unidas nesta segunda-feira (23) exigindo a libertação "imediata" do ex-ditador Nicolás Maduro, atualmente detido nos Estados Unidos. O pedido ocorre em um contexto de mudanças políticas internas, incluindo a promulgação de uma lei de anistia que já resultou na libertação de dezenas de presos políticos no país.

Detenção nos EUA e pedido diplomático

Nicolás Maduro foi capturado durante uma incursão militar norte-americana em 3 de janeiro, operação que incluiu bombardeios em Caracas e regiões vizinhas. Sua esposa, Cilia Flores, também foi detida na mesma ação. Ambos enfrentam julgamento por tráfico de drogas em Nova York, onde Maduro se declarou "prisioneiro de guerra".

O chanceler venezuelano Yván Gil declarou perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU: "A Venezuela exige a libertação imediata, pelo governo dos Estados Unidos, do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e da sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores".

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Mudanças políticas internas e lei de anistia

Após o ataque norte-americano, Delcy Rodríguez, então vice-presidente, assumiu o poder interinamente e iniciou uma série de reformas. Entre as medidas adotadas estão:

  • Cessão do controle da indústria petrolífera
  • Início de um processo de libertação de presos políticos
  • Decretação de anistia geral em 19 de fevereiro
  • Fechamento da prisão de Helicoide, transformando-a em centro social e esportivo

Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy, informou que aproximadamente 1.500 pessoas solicitaram anistia aos tribunais. A ONG Foro Penal relatou que 65 presos políticos obtiveram liberdade plena nos últimos três dias, com pelo menos outros 30 libertados nos arredores de Caracas nesta segunda-feira.

Críticas e limitações da anistia

Apesar dos avanços, organizações de direitos humanos consideram a lei de anistia insuficiente e excludente. O texto não abrange casos relacionados a militares, situação particularmente crítica na prisão de Rodeo I, onde cerca de 200 detentos iniciaram greve de fome no fim de semana.

O ministro das Relações Exteriores venezuelano afirmou em Genebra: "Os direitos humanos não podem ser instrumentos de guerra política, não podem ser seletivos, não podem depender de alinhamentos ideológicos", pedindo o fim das sanções internacionais contra a Venezuela.

Repercussão internacional e mudanças no governo

Em meio a estas transformações, Delcy Rodríguez realizou mudanças significativas em seu gabinete, demitindo Camilla Fabri, esposa de Alex Saab - operador financeiro acusado de atuar para Maduro. Saab havia sido preso em Cabo Verde em 2020, extraditado para os EUA em 2021, e retornado à Venezuela em uma troca de prisioneiros antes de ser exonerado em janeiro de 2025.

No cenário internacional, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, anunciou que proporá ao bloco a suspensão das sanções contra Delcy Rodríguez, seguindo recomendação do ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés.

Maduro liderou a Venezuela entre 2013 e 2026, período marcado por investigações do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade e acusações de fraude em sua reeleição de 2024. O atual governo afirma estar comprometido com o fortalecimento institucional do país.

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