Trump provoca com insinuações de anexação da Venezuela após vitória no Mundial de Beisebol
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica internacional ao fazer comentários nas redes sociais que insinuam atribuir à Venezuela a condição de estado norte-americano. As declarações ocorreram enquanto Trump comentava o Campeonato Mundial de Beisebol, no qual a seleção venezuelana sagrou-se campeã após vencer os Estados Unidos na final.
Publicações nas redes sociais causam reações
A primeira postagem sobre o assunto foi feita após a Venezuela vencer a Itália nas semifinais por 4 a 2. "Uau! A Venezuela derrotou a Itália hoje à noite por 4 a 2 na semifinal do WBC. Eles estão parecendo muito fortes. Coisas boas estão acontecendo com a Venezuela ultimamente! Fico me perguntando do que se trata essa magia. Estado nº 51, alguém?", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Após a vitória venezuelana na final contra os norte-americanos, o ex-presidente voltou à rede social e publicou simplesmente "status de estado", reforçando a insinuação de anexação territorial. Essas publicações ocorrem apenas dois meses após a invasão militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Contexto geopolítico tenso
Desde a intervenção militar, o país latino-americano, atualmente liderado pela presidente-interina Delcy Rodríguez, vive sob pressão constante do governo Trump. A Venezuela enfrenta crises econômicas e políticas profundas, agravadas pelas sanções internacionais e pela instabilidade pós-intervenção.
Porém, a Venezuela não é o único alvo das ambições expansionistas de Trump. O ex-presidente também voltou a defender publicamente a ideia de comprar a Groenlândia no início deste ano, incluindo planos de construir um "Domo de Ouro" no território.
Groenlândia como alvo estratégico
Em publicação pressionando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para apoiar seus planos de anexação, Trump afirmou que a Groenlândia é "vital" para a construção do escudo de defesa. "Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A OTAN deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu.
O ex-presidente chegou a compartilhar uma montagem feita com inteligência artificial mostrando ele fincando a bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia. Diante dessas ameaças, a Dinamarca e outros membros da OTAN reforçaram a presença militar na ilha, declarando em comunicado oficial: "Como membros da OTAN, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum".
Canadá também na mira
No mesmo dia em que compartilhou a montagem da Groenlândia, Trump publicou outra imagem insinuando a anexação do Canadá. Antes de tomar posse e no início de seu segundo mandato, o ex-presidente fez uma série de ameaças ao país vizinho, chegando a falar em transformá-lo no 51º estado.
Segundo Trump, a anexação seria "muito melhor para a segurança nacional" e resultaria em "muito dinheiro para os canadenses". Em maio de 2025, ele mencionou o Domo de Ouro novamente, prometendo acesso ao sistema de defesa caso o Canadá aceitasse ser anexado.
"Eu disse ao Canadá, que deseja com todas as suas forças fazer parte de nosso fabuloso sistema Domo de Ouro, que custará US$ 61 bilhões (R$ 345 bilhões) se continuar sendo uma nação separada, mas desigual", publicou Trump. "Mas não vai custar nada se eles se tornarem nosso querido estado de número 51. Estão considerando a oferta!", acrescentou.
Rejeição canadense firme
O então primeiro-ministro do Canadá respondeu às provocações com um comunicado contundente: "Só se o inferno congelar que o Canadá vai se tornar parte dos Estados Unidos. Os trabalhadores e as comunidades dos dois países se beneficiam do fato de serem os maiores parceiros comerciais e de segurança um do outro".
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou posteriormente que os dois países discutiram o tema em reuniões de alto nível, mas rejeitou categoricamente a ideia de anexação. "O Canadá nunca esteve à venda", declarou durante visita à Casa Branca no início do mês.
Cuba entra na lista de possíveis anexações
O ex-presidente dos Estados Unidos também considera anexar Cuba, afirmando recentemente que seria uma "honra" para ele "tomar Cuba". A declaração representa mais um capítulo na escalada de pressão dos norte-americanos sobre a ilha comunista, que enfrenta uma forte crise energética.
Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em pronunciamento televisivo, afirmando que "essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre nações".
Histórico de tensões com Cuba
Cuba está entre os alvos de Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, ele reverteu a política de abertura adotada por Barack Obama e endureceu significativamente as sanções contra a ilha. Até então, o governo cubano negava que quaisquer encontros oficiais estivessem em andamento, enquanto Trump afirmava desde janeiro que conversas estavam ocorrendo e que Cuba queria chegar a um acordo.
Fontes próximas às negociações afirmam que ainda há diferenças significativas entre os dois países. Autoridades americanas indicam que qualquer alívio da pressão depende de concessões políticas e econômicas substanciais por parte de Havana.
Prioridade em minerais críticos
Paralelamente a essas movimentações geopolíticas, Trump determinou que uma das prioridades de seu governo é aumentar o acesso dos Estados Unidos a fontes de minerais críticos e terras raras. Esses recursos são essenciais para tecnologias modernas, incluindo sistemas de defesa como o Domo de Ouro, e representam um elemento estratégico nas ambições expansionistas do ex-presidente.
As insinuações de anexação territorial feitas por Trump através de suas redes sociais continuam gerando preocupação internacional e reações diplomáticas, enquanto especialistas analisam as implicações geopolíticas dessas declarações para a estabilidade regional e global.



