O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a formação do chamado "Conselho da Paz" para a Faixa de Gaza, nomeando figuras de peso internacional como membros fundadores. A divulgação ocorreu na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, pela Casa Branca.
Quem são os membros do conselho executivo
O órgão, que será presidido pelo próprio Trump, conta com um conselho executivo fundador de sete integrantes. Entre os nomes mais destacados estão o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, cuja indicação é vista como polêmica devido ao seu papel central na invasão do Iraque em 2003.
A lista completa inclui ainda o enviado especial presidencial Steve Witkoff, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga, o genro de Trump Jared Kushner, o bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente do presidente no Conselho de Segurança Nacional.
Objetivos e atuação do Conselho da Paz
Segundo a explicação oficial, o Conselho da Paz de Gaza terá a missão de estabelecer a estrutura e administrar o financiamento para a reconstrução do território palestino. Seu foco será em fortalecimento da governança, relações regionais, atração de investimentos e mobilização de capital em larga escala.
O plano é que o conselho atue até que a Autoridade Palestina conclua um programa de reformas, baseado em propostas como o plano de paz de Trump de 2020 e a iniciativa saudita-francesa, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura. A ideia inclui criar uma "zona econômica especial" com tarifas preferenciais.
Cessar-fogo e governança temporária
A criação do conselho segue o anúncio do início da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro de 2025. Esta nova etapa prevê a desmilitarização do Hamas e o início da reconstrução. Em suas redes sociais, Steve Witkoff advertiu que os EUA esperam que o grupo palestino cumpra todas as obrigações, incluindo a devolução de restos mortais de reféns, sob risco de "sérias consequências".
Paralelamente, foi alcançado um consenso sobre a formação de um comitê tecnocrático palestino de 15 pessoas para governar Gaza temporariamente. Esse grupo, que será supervisionado pelo Conselho da Paz e liderado pelo ex-vice-ministro Ali Shaath, será responsável pelos serviços públicos e municípios. A coordenação entre as duas estruturas ficará a cargo do diplomata búlgaro Nickolay Mladenov.
Cenário de devastação e fome catastrófica
A iniciativa surge em um contexto de extrema gravidade. Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), apoiado pela ONU, apontou no final de dezembro que 100 mil pessoas ainda enfrentam fome de nível catastrófico (Fase 5) em Gaza.
Apesar de um aumento no fluxo de ajuda humanitária após o cessar-fogo de outubro, a crise humanitária permanece. A destruição é avassaladora: oito a cada dez edifícios foram danificados ou destruídos, gerando um volume de escombros estimado em 12 vezes o da Grande Pirâmide de Gizé.
O conflito deslocou mais de 1,9 milhão de pessoas, cerca de 90% da população de Gaza, segundo a UNRWA. Em comparação, em Israel, cerca de 100.000 pessoas tiveram que deixar suas casas. O cessar-fogo permanece delicado, com Israel e o Hamas trocando acusações de violações do acordo.