Trump enfrenta jogo de tudo ou nada no Irã: vitória é crucial para evitar desmoralização
Trump no Irã: jogo de tudo ou nada para evitar desmoralização

Aposta geopolítica de alto risco no Irã

A campanha militar de Donald Trump no Irã se transformou em um jogo de tudo ou nada, onde o fracasso dos Estados Unidos poderia gerar instabilidade de enormes proporções, impulsionar o programa nuclear iraniano e desmoralizar profundamente o Ocidente. Em meio aos zigue-zagues retóricos do presidente americano, a urgência por uma vitória clara se torna cada vez mais evidente para a segurança global.

O peso da desmoralização

Trump precisa não apenas ganhar, mas parecer que ganhou, pois apostou muito alto nessa campanha militar e não pode mais sair cantando vitória com resultados parciais. Falar em "desacelerar" a guerra agora seria o caminho direto para a desmoralização. O estilo literalmente bombástico do presidente é suscetível a críticas intensas, algumas justificadas, outras produto apenas da torcida para que tudo o que ele faz dê errado.

Esta é uma atitude considerada insana por analistas: se os Estados Unidos se derem mal no Irã, criarão um foco de instabilidade de enormes proporções, dando ânimo novo às forças do eixo do mal – Hezbollah, Hamas, hutis. Também deixarão intato um regime sedento de vingança e obcecado pela única forma de evitar novos ataques: a busca da bomba atômica.

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Complexidades do teatro de guerra

A guerra atual apresenta desafios únicos que explicam por que o poderoso império americano enfrenta dificuldades para derrotar este inimigo. Primeiro, é preciso considerar o tamanho do Irã: equivalente ao estado do Amazonas, uma imensidão de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, sem árvores e com montanhas. Segundo, a descentralização dos sistemas de mísseis e drones, desenvolvidos durante décadas. Terceiro, esta não é uma guerra total: é uma guerra aérea contra instalações militares e industriais, não contra a população civil.

Uma formidável inversão de papéis midiáticos tem sido observada: a Al Jazira, emissora do Catar que se transformou na maior fonte de propaganda contra Israel, hoje mudou de posição e critica o Irã, enquanto grandes veículos ocidentais trucidam Trump e correspondentes fazem entrevistas subservientes com autoridades iranianas. O motivo é óbvio: os príncipes do Catar, donos do canal, estão furiosos com os ataques iranianos, enquanto a mídia americana e europeia trata Trump como o pior dos inimigos.

Consequências regionais e globais

Para os pequenos e ricos países do Golfo Pérsico, que contavam com os Estados Unidos para sua defesa (e com os quais os Estados Unidos contavam para um plano de normalização com Israel), será um desastre um regime iraniano ferido, mas em pé. Se a guerra terminar com o regime intacto, obviamente haverá uma reaproximação entre os países do Golfo e o Irã.

Os planos otimistas de normalização com Israel, reconstrução de Gaza e um eventual caminho para um Estado palestino estarão acabados. No plano mais amplo, os Estados Unidos perdem para a China uma jogada geopolítica fundamental. A revista The Spectator destacou em editorial que o regime iraniano espera que o preço da guerra seja um ônus pesado demais para um Ocidente que considera irremediavelmente decadente.

Divisões no Ocidente

Quem ficaria contente com a desmoralização dos Estados Unidos? Segundo análise da Spectator, "A esquerda 'pós-colonial' e a direita etno-nacionalista, que impreca contra Israel, a influência judaica e a 'classe Epstein' que nos arrastou para um desastre caro e contraprodutivo. São estas as forças da sociedade ocidental que desdenham da civilização ocidental em si – liberal, aberta, capitalista, criativa, judaico-cristã e confiante."

Mesmo com a destruição de instalações para produção de urânio enriquecido e outros componentes, sempre haverá atores mal-intencionados dispostos a preencher o vácuo. O que impede a Coreia do Norte de fazer um acordo bem-bolado com o Irã? A vitória hoje implica na mudança de regime, nem que seja em versão light, porque a alternativa seria uma liderança maligna, obcecada por vingança.

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