Trump anuncia investimento de US$ 10 bilhões em Conselho da Paz para Gaza
Trump investe US$ 10 bilhões em Conselho da Paz para Gaza

Trump anuncia investimento bilionário em Conselho da Paz para Gaza

O presidente americano Donald Trump anunciou nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, que os Estados Unidos contribuirão com 10 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 52,3 bilhões) para seu recém-criado "Conselho da Paz". A iniciativa tem como objetivo principal supervisionar os esforços de estabilização na Faixa de Gaza, região devastada por conflitos recentes, mas segundo a Casa Branca, poderá ampliar sua atuação para outros cenários de conflito global.

Anúncio em meio a reunião inaugural

Durante a reunião inaugural do conselho, que reuniu cerca de vinte líderes mundiais e altos funcionários no United States Institute of Peace, Trump declarou: "Quero informar que os Estados Unidos farão uma contribuição de 10 bilhões de dólares para o Conselho da Paz". O presidente, no entanto, não especificou a origem desses recursos, levantando questões sobre o financiamento da iniciativa.

A contribuição americana foi complementada por outros US$ 5 bilhões prometidos por membros do conselho, incluindo o Japão e outras nações presentes. O encontro ocorreu em um contexto de cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, com tensões ainda evidentes na região.

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Resistência internacional significativa

O Conselho da Paz já nasce sob forte contestação internacional. Aliados tradicionais dos Estados Unidos, como Reino Unido, França, Noruega, Suécia e Eslovênia, recusaram convites para integrar o novo organismo. Esses países expressaram preocupações com o estatuto do conselho e com o possível enfraquecimento do papel da Organização das Nações Unidas (ONU) nas missões de paz globais.

O Vaticano confirmou que o Papa Leão XIV também recusou participar, reiterando que a ONU permanece como o fórum apropriado para a gestão de crises internacionais. A União Europeia enviou a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, como representante, mas informou que o bloco não aderirá formalmente ao organismo. A Rússia, igualmente convidada, não participou da primeira reunião, com seu vice-chanceler afirmando que Moscou ainda avalia sua posição de longo prazo.

Críticas sobre representatividade palestina

O projeto enfrenta duras críticas de autoridades e analistas pela suposta falta de representatividade palestina na estrutura decisória sobre Gaza. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, classificou a proposta como inaceitável "em quaisquer circunstâncias", ainda que a considere menos prejudicial do que alternativas unilaterais.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que o mandato do conselho foi ampliado sem clareza sobre como os interesses da população de Gaza serão incorporados. Um órgão tecnocrático supervisionado pelo conselho deverá administrar o dia a dia do território, sendo liderado pelo funcionário palestino Ali Shaath.

Cenário complexo em Gaza

Embora o cessar-fogo entre Israel e Hamas esteja formalmente em vigor, ataques aéreos israelenses continuam sendo registrados em Gaza, segundo autoridades de saúde palestinas. Ambas as partes trocam acusações de violações do acordo, mantendo a tensão na região.

A situação humanitária permanece crítica, com grande parte da população de Gaza deslocada e vivendo em abrigos improvisados. A reconstrução enfrenta desafios logísticos e políticos significativos, sendo a desmilitarização do Hamas um dos pontos mais delicados e tema de impasse nas negociações.

Visão expansiva de Trump

Ao defender a criação do Conselho da Paz, Trump afirmou que a iniciativa poderá atuar "muito além de Gaza" e trabalhar "em conjunto com a ONU", embora tenha criticado o desempenho do organismo internacional em discursos anteriores. "Acho que pode ser um instrumento para a paz no mundo todo", declarou o presidente americano, sinalizando ambições globais para o projeto.

A iniciativa representa uma abordagem alternativa aos mecanismos tradicionais de paz internacional, mas seu sucesso dependerá da superação das resistências diplomáticas e da efetiva inclusão das partes envolvidas nos conflitos que pretende mediar.

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