O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (27) que não gostaria de ordenar uma ação militar no Irã, mas destacou que "às vezes é necessário" ao ser questionado sobre as crescentes tensões com Teerã. A declaração ocorre em um contexto de negociações nucleares intensas, que podem definir o rumo das relações entre os dois países.
Negociações nucleares em Genebra
Os Estados Unidos e o Irã realizaram nesta quinta-feira (26) mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano em Genebra, na Suíça. O encontro, mediado por Omã, foi pausado após cerca de três horas de tratativas e deve ser retomado ainda nesta quinta, conforme informou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi.
Um comboio de carros, supostamente transportando os negociadores norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, foi visto deixando o local por volta das 9h20, no horário de Brasília, segundo a agência de notícias Associated Press. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, participou do início das discussões, que começaram por volta das 6h15.
Albusaidi afirmou que "estivemos trocando ideias criativas e positivas em Genebra hoje, e agora tanto os negociadores dos EUA quanto os do Irã suspenderam as conversas para um intervalo. Retomaremos mais tarde hoje. Esperamos avançar ainda mais". Até o momento, nem os EUA nem o Irã se pronunciaram oficialmente sobre a pausa ou os resultados do encontro.
Divergências e propostas preliminares
Após a primeira parte do encontro, uma autoridade sênior iraniana revelou à Reuters que as negociações têm sido "intensas e sérias", com "algumas divergências permanecendo". A fonte acrescentou que "as conversas levantaram novas ideias que exigem consulta com Teerã" e que as tratativas devem ser retomadas entre 13h30 e 14h, no horário de Brasília.
Segundo o site norte-americano "Axios", o Irã apresentou uma proposta preliminar de acordo nuclear durante a reunião. A reportagem indicou que os negociadores dos EUA demonstraram flexibilidade para permitir que Teerã enriqueça urânio, desde que comprove que não busca construir uma bomba nuclear. O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, também esteve presente, conforme a AFP.
Decisão crucial e ameaças militares
A reunião desta quinta é vista como decisiva, pois Donald Trump deve tomar uma decisão sobre um possível ataque ao Irã com base em seu resultado, de acordo com o jornal britânico "The Guardian". Trump tem ameaçado ações militares caso as negociações fracassem, embora afirme preferir uma solução diplomática.
Em seu discurso do Estado da União na terça-feira, Trump adotou um tom ameaçador, relembrando ataques anteriores e acusando o Irã de retomar ambições nucleares. Ele declarou que não permitirá que "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" tenha uma arma nuclear. O Irã respondeu classificando as acusações como "grandes mentiras".
Movimentações militares e riscos de guerra
Diante da crise, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio em janeiro, com o objetivo de monitorar Teerã "de perto". Recentemente, um segundo porta-aviões, o USS Gerald R. Ford, foi deslocado para a região, somando-se a navios de guerra e bases militares dos EUA em países vizinhos ao Irã.
Imagens de satélite registraram movimentações em bases americanas, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Enquanto isso, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, além de manobras no Estreito de Ormuz.
O jornal "The New York Times" informou que Trump considera um ataque limitado nos próximos dias se as negociações não avançarem, enquanto um bombardeio mais amplo, visando derrubar o aiatolá Ali Khamenei, poderia ocorrer nos próximos meses. O Irã prometeu uma resposta "feroz" a qualquer agressão, alertando que pode atingir bases americanas na região.
Contexto das negociações
Esta é a terceira reunião em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite o programa nuclear iraniano. Os EUA exigem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, tema que o governo iraniano afirma ter fins pacíficos. Teerã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e à remoção de sanções, oferecendo reduzir o nível de enriquecimento em troca.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que o Irã terá "um grande problema" se resistir a discutir o alcance de seus mísseis balísticos. Em meio às tensões, protestos de estudantes no Irã foram registrados, com o governo advertindo manifestantes para não ultrapassarem "limites", após uma onda de protestos em janeiro que resultou em milhares de mortes.
As negociações continuam sob alta pressão, com o mundo observando atentamente para evitar uma escalada militar no Oriente Médio.
