Discurso de Trump acirra tensões com Irã e anuncia medidas econômicas polêmicas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso anual do Estado da União para lançar duras acusações contra o Irã e anunciar uma nova política de tarifas comerciais globais, enquanto o governo iraniano reagiu com veemência, comparando o mandatário norte-americano a figuras do regime nazista.
Irã rejeita acusações e compara Trump a ministro nazista
O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou categoricamente nesta quarta-feira (25) as acusações feitas por Trump de que o país busca desenvolver armas nucleares e mísseis capazes de atingir território norte-americano. Em resposta, o porta-voz do ministério, Esmail Baghaei, publicou no X uma mensagem onde comparou o presidente americano a Joseph Goebbels, ministro da propaganda do regime nazista de Adolf Hitler.
Baghaei acusou Trump e seu governo de conduzirem uma "campanha de desinformação e informação enganosa" contra o Irã, afirmando que todas as alegações sobre o programa nuclear iraniano, mísseis balísticos e números de vítimas durante os distúrbios de janeiro são "simplesmente a repetição de 'grandes mentiras'".
Trump ameaça Irã e defende diplomacia com ressalvas
Durante seu discurso perante o Congresso norte-americano, Trump relembrou os ataques realizados pelos EUA contra o Irã em junho de 2025 e afirmou que o país "voltou a perseguir suas ambições nucleares" mesmo após os bombardeios. O presidente declarou que o Irã já desenvolveu mísseis capazes de ameaçar a Europa e bases americanas no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que poderão alcançar os Estados Unidos em breve.
"Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear", afirmou Trump, em meio ao aumento de tensões entre os dois países durante as negociações para limitar o programa nuclear iraniano.
Anúncio de tarifas globais de 15% sobre importações
Em outro ponto polêmico do discurso, Trump criticou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países — incluindo o Brasil — com base em uma lei de emergência da década de 1970, classificando-a como "frustrante". Como resposta, o presidente anunciou uma nova taxa global de 15% sobre produtos importados.
Trump defendeu que a medida poderá substituir o atual sistema de imposto de renda e aliviar a carga tributária dos americanos, além de afirmar que tarifas ajudaram a evitar conflitos internacionais. O presidente também elogiou um megapacote aprovado em julho que reduz impostos, mas aumentou a dívida nacional, e criticou os democratas que votaram contra o projeto, acusando a oposição de querer "machucar as pessoas" com impostos altos.
Foco econômico e críticas ao governo Biden
Trump dedicou os primeiros 40 minutos de seu discurso para falar sobre a economia, criticando a gestão anterior de Joe Biden e afirmando que assumiu o país em uma crise. "Posso dizer, com dignidade e orgulho, que alcançamos uma transformação como ninguém jamais viu antes, uma virada que ficará para a história", declarou o presidente.
Entre os indicadores destacados, Trump afirmou que:
- A inflação está em queda
- A renda está em alta
- A economia está em recuperação
- A produção de energia bate recordes
O discurso ocorre em um contexto onde apenas 39% dos eleitores aprovam as políticas econômicas de Trump, segundo pesquisa da Associated Press, refletindo a preocupação dos americanos com o custo de vida.
Políticas de imigração e segurança nas fronteiras
Ainda no discurso, Trump defendeu políticas anti-imigratórias e adotou um discurso duro sobre segurança nas fronteiras, mas fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente nos Estados Unidos. "Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo", afirmou o presidente, equilibrando retórica restritiva com abertura seletiva.



