Marco Rubio nega que EUA pressionaram Cuba para depor presidente Díaz-Canel
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou categoricamente nesta terça-feira, 17 de março, que o governo dos Estados Unidos tenha tentado pressionar Cuba para depor seu atual presidente, Miguel Díaz-Canel. A declaração foi feita por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), onde o chefe da diplomacia norte-americana classificou como "falsa" uma reportagem do jornal The New York Times que trazia essas alegações.
Reportagem do NYT e a resposta contundente de Rubio
Segundo a publicação do prestigiado jornal americano, membros do governo do presidente Donald Trump teriam solicitado a Havana a destituição de Díaz-Canel, mas sem a intenção de derrubar completamente o regime comunista na ilha. A estratégia seria similar à aplicada na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, buscando uma "obediência forçada" em vez de uma mudança radical de governo.
Em sua resposta, Rubio foi enfático ao afirmar que a matéria se baseou em relatos de fontes que ele classificou como "charlatãs e mentirosas". O secretário de Estado, que é cubano-americano e tem histórico de oposição ao regime instaurado por Fidel Castro em 1959, deixou claro que não há qualquer iniciativa oficial nesse sentido por parte do governo americano.
Crise econômica em Cuba e o contexto regional
A negação de Rubio ocorre em um momento particularmente delicado para Cuba, que enfrenta uma crise econômica agravada pela interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano. Essa interrupção é consequência direta das ações militares americanas na região, que resultaram na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro em janeiro e seu traslado para Nova York para responder a acusações de narcotráfico.
Com o fluxo de combustível de Caracas forçosamente interrompido, Cuba perdeu metade de seu suprimento energético, situação que se soma a um apagão nacional ocorrido no início da mesma semana. Analistas apontam que o país caribenho se encontra em uma posição de vulnerabilidade sem precedentes nas últimas décadas.
Estratégia americana para governos "adversários"
A reportagem do The New York Times sugeria que a Casa Branca vê Díaz-Canel como um líder "linha-dura", resistente a mudanças estruturais e negociações. Segundo o jornal, a estratégia atual da administração Trump para governos considerados adversários não visa necessariamente a derrubada imediata, mas sim uma submissão através de pressão econômica e política.
Um exemplo citado é a relação de Trump com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Após ameaças de violência, o ocupante do Salão Oval expressou satisfação com a conduta da chavista pragmática, que passou a garantir tratamento preferencial para empresas petrolíferas americanas no país sul-americano.
Declarações anteriores e o cenário político
Rubio, que recentemente afirmou que Cuba precisaria adotar medidas mais "drásticas" se quisesse afastar a ameaça americana, mantém uma postura crítica em relação ao regime cubano. Enquanto isso, Trump já manifestou interesse em um acordo entre Havana e Washington, mas também chegou a se gabar da possibilidade de assumir o controle da ilha, alegando que o país está enfraquecido.
A mesma estratégia de "obediência forçada" estaria sendo aplicada ao Irã, que sofre ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro, segundo analistas consultados pela reportagem. O cenário geopolítico na região das Américas continua tenso, com Cuba no centro das atenções diplomáticas.



