Rússia acusa Otan de mobilização no Ártico e Putin tenta mediar tensões no Oriente Médio
Rússia acusa Otan de mobilização acelerada no Ártico

O presidente russo, Vladimir Putin, está atuando como mediador para tentar reduzir as crescentes tensões no Oriente Médio, alimentadas pelos protestos no Irã e pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra as autoridades de Teerã. Enquanto isso, a atenção geopolítica também se volta para o extremo norte do planeta.

Rússia denuncia "mobilização acelerada" da Otan no Ártico

O governo da Rússia expressou séria preocupação com o deslocamento de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a região do Ártico. A movimentação foi anunciada por países-membros da aliança na quarta-feira (14), como resposta às ameaças de anexação da Groenlândia feitas por Donald Trump.

Em comunicado divulgado na noite de quarta-feira, a embaixada russa na Bélgica, sede da Otan, acusou a aliança de realizar uma mobilização militar acelerada com o claro objetivo de conter a Rússia e promover uma agenda antirrussa e antichinesa. "A situação que está se desenrolando nas altas latitudes é motivo de séria preocupação para nós", afirmou a representação diplomática.

A embaixada russa argumenta que a Otan está ampliando sua presença militar na região sob o falso pretexto de uma ameaça crescente por parte de Moscou e Pequim. Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia reforçou, nesta quinta-feira, que nem a Rússia nem a China jamais declararam planos de ocupar a Groenlândia.

Resposta da Otan e ameaças de Trump à Groenlândia

A mobilização ocorre após os governos da Dinamarca e da Groenlândia anunciarem, na quarta-feira (14), o aumento da presença militar na ilha e no Ártico, em coordenação com outros países da Otan. Os primeiros soldados dinamarqueses começaram a chegar à ilha ainda na madrugada de quinta-feira.

Países como Alemanha, França, Suécia e Noruega também confirmaram o envio de tropas. A Alemanha afirmou que uma missão da aliança nos próximos dias terá como objetivo explorar opções para garantir a segurança diante de ameaças russas e chinesas no Ártico.

Por trás dessa movimentação está a ofensiva verbal de Donald Trump, que reiterou na quarta-feira que os Estados Unidos precisam da Groenlândia e que não se pode confiar na Dinamarca para protegê-la. Trump alega uma crescente presença russa e chinesa na região, afirmação desmentida por europeus com base em relatórios de inteligência.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que a ambição de Trump em tomar a ilha permanece "intacta", mesmo após uma reunião de alto nível entre representantes dos EUA, Dinamarca e Groenlândia, realizada em Washington na quarta-feira. Após o encontro, um alto representante dinamarquês falou em um "desacordo fundamental" sobre o futuro do território.

Exercícios militares e a estratégia da aliança

Apesar dos protestos russos, a Otan mantém uma presença constante no Ártico, com exercícios militares regulares. Os mais recentes ocorreram no início desta semana, divulgados pela própria aliança como "treinamento no Ártico".

Outros exercícios notáveis incluem:

  • Um grande exercício realizado pela Dinamarca com aliados ao redor da Groenlândia em setembro de 2025, envolvendo mobilização aérea, marítima e terrestre.
  • Treinamentos conduzidos por Noruega, Suécia e Finlândia no norte da Noruega em março de 2024.
  • Dois exercícios militares previstos para 2026, um em fevereiro e outro em março, ambos na costa da Noruega.

Analistas apontam que o reforço militar no Ártico por aliados dos EUA tem um duplo objetivo: impedir uma ação militar norte-americana contra a Groenlândia e, ao mesmo tempo, sinalizar a Trump que suas preocupações com a segurança da região estão sendo consideradas.

A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, deixou claro que o território, apesar de querer fortalecer a cooperação com os EUA, não deseja ser controlado por Washington. Os dois lados concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir as preocupações de segurança americanas, enquanto a Casa Branca não descarta uma ação militar para garantir o controle da ilha.