ICE sob pressão: recrutamento acelerado de Trump gera falhas e investigações internas
Recrutamento do ICE sob Trump gera falhas e investigações

ICE sob pressão: recrutamento acelerado de Trump gera falhas e investigações internas

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) está enfrentando dificuldades significativas para acompanhar o ritmo acelerado de contratações implementado pelo governo Trump, segundo documentos internos obtidos pela agência Reuters. Um e-mail enviado a supervisores na segunda-feira (23) revela que o "grande volume de novas contratações" e as demoras nas verificações de antecedentes estão criando um cenário de incerteza operacional.

Processo emergencial para má conduta

A comunicação interna estabelece um novo protocolo para lidar com alegações de má conduta envolvendo recrutas. "Caso um escritório de campo receba informações depreciativas sobre a conduta de um funcionário recém-contratado antes de ingressar na ERO (por exemplo, demissão ou pedido de demissão em vez de demissão de outra agência policial por má conduta), encaminhe o assunto à IIU", determina o documento, referindo-se à Unidade Interna de Investigações de Integridade.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA anunciou em janeiro a contratação de 12 mil novos agentes para se somar aos 10 mil já existentes. Porém, esse ritmo acelerado tem levantado questões sérias sobre a qualidade da seleção.

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Recrutas problemáticos e pressão política

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, alguns recrutas já em treinamento foram dispensados após a descoberta de passado criminal. Em casos específicos:

  • Dois recrutas foram identificados como suspeitos de pertencerem à gangue MS-13 com base em tatuagens durante treinamento na Geórgia
  • Pelo menos cinco outros recrutas foram demitidos quando o ICE descobriu mandados de prisão em aberto contra eles

"Eles não estavam concluindo as verificações de antecedentes antes de os candidatos chegarem à academia", revelou um ex-funcionário do governo americano.

Um funcionário atual confirmou que Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, pressionou fortemente em teleconferências para que o ICE atingisse metas ambiciosas de contratação antes do final do ano. "Toda a equipe do presidente trabalhou para garantir que sua agenda seja implementada", afirmou um porta-voz da Casa Branca.

Preocupações legislativas e paralisações

O senador americano Dick Durbin já havia alertado em carta à Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que o aumento no número de agentes do ICE "provavelmente resultaria em um aumento da má conduta dos agentes".

Enquanto isso, o Departamento de Segurança Interna entrou em paralisação parcial no dia 14 após impasse no Congresso sobre mudanças nas regras de atuação de agentes de imigração. Democratas propõem:

  1. Limites mais claros para abordagens, prisões e operações
  2. Exigência de que agentes retirem máscaras durante ações
  3. Regras semelhantes às aplicadas a policiais locais

Republicanos argumentam que essas mudanças colocariam os agentes em risco, enquanto o presidente Trump criticou os democratas e defendeu a necessidade de "proteger as forças de segurança".

Operações continuam apesar de impasse

Mesmo sem a aprovação do orçamento completo, as operações do ICE e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) não devem parar, pois contam com recursos separados de US$ 135 bilhões aprovados em julho dentro de um pacote orçamentário proposto por Trump.

A tensão política ficou evidente quando republicanos anunciaram o fim de uma operação intensiva de deportações em Minneapolis na quinta-feira (12), esperando destravar a votação. A estratégia não funcionou - apenas um dos 47 senadores democratas votou a favor do projeto, sendo necessários pelo menos três.

A senadora democrata Jeanne Shaheen alertou que, mesmo com a retirada do ICE de Minneapolis, "não há garantias de que agentes não atuem em outras cidades ou façam buscas sem mandado judicial. É isso que está deixando as pessoas revoltadas, e isso precisa ser corrigido".

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Esta nova paralisação ocorre meses após outro shutdown prolongado do governo federal que durou 43 dias no ano passado, evidenciando as divisões profundas na política migratória americana.