Protestos nos EUA contra política migratória de Trump ganham força nacional
Nos Estados Unidos, milhares de manifestantes continuam a se mobilizar em diversas cidades para protestar contra a política migratória do ex-presidente Donald Trump, em um movimento que tem gerado tensões significativas e respostas do governo federal. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, anunciou nesta segunda-feira (2) uma medida imediata em resposta aos protestos: a distribuição de câmeras corporais para todos os agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle Alfandegário) em serviço em Minneapolis.
Distribuição de câmeras corporais como resposta aos protestos
Segundo Kristi Noem, o programa de câmeras corporais será expandido para todo o país conforme houver disponibilidade de recursos. "Com efeito imediato, estamos distribuindo câmeras corporais para todos os policiais em serviço em Minneapolis. Conforme houver disponibilidade de recursos, o programa será expandido para todo o país", declarou Noem na plataforma X. A medida é uma reação direta aos protestos contra as ações do ICE na cidade, que recentemente foi palco de uma operação em massa de captura e deportação de imigrantes não regularizados.
Os protestos em Minneapolis têm sido impulsionados pelas mortes de dois manifestantes americanos baleados por agentes federais, um evento que segue mobilizando o país. Um dos mortos, o enfermeiro Alex Pretti, foi atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro e foi rotulado de "encrenqueiro" por Donald Trump em suas declarações públicas. Antes dele, Renee Good, uma mãe de 37 anos, foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE, ampliando a indignação popular.
Manifestações se espalham pelo país em meio a clima gelado
Os protestos de grande porte foram registrados em diversas outras cidades além de Minneapolis, incluindo Los Angeles, Nova York e Texas. Os manifestantes marcharam apesar do frio intenso, com temperaturas chegando a -17°C, carregando cartazes críticos ao presidente Donald Trump e ao ICE, cujos métodos agressivos são amplamente contestados por grupos de direitos humanos e ativistas.
Em Minneapolis, na última sexta-feira (31), a lenda do rock Bruce Springsteen subiu ao palco para cantar uma música em homenagem às vítimas, especialmente Alex Pretti. O cantor, de 76 anos, compôs a canção após a morte do enfermeiro, demonstrando o alcance cultural e emocional do caso.
Reações políticas e investigações em andamento
Donald Trump tem reagido aos protestos com declarações virulentas, referindo-se aos manifestantes como "insurgentes" e "agitadores financiados por rebeldes profissionais". Em sua plataforma Truth Social, o ex-presidente condenou a "demonstração de violência" de Alex Pretti, em referência a um vídeo viral que mostra o enfermeiro resistindo à prisão por agentes federais 11 dias antes de sua morte.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou a abertura de uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focando na possível violação de seus direitos fundamentais. A instituição enfatizou que se trata de um procedimento padrão, mas a medida reflete a pressão pública por transparência e responsabilização.
Prisão de jornalistas e críticas à liberdade de imprensa
No contexto dos protestos, dois jornalistas americanos foram presos, incluindo o ex-âncora da CNN Don Lemon. A procuradora-geral Pam Bondi se vangloriou no X de ter supervisionado "pessoalmente" a prisão de Lemon, que está sendo processado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota. Outras pessoas, incluindo um jornalista freelancer, também foram detidas, embora todos tenham sido liberados posteriormente, segundo a imprensa americana.
Don Lemon, que deve comparecer ao tribunal em Minneapolis no início de fevereiro, declarou: "Não vou parar agora. Nunca foi tão importante ter uma mídia livre e independente que traga a verdade à tona e responsabilize os poderosos." O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou as prisões como um "ataque flagrante" à imprensa.
Perspectivas futuras e mobilização contínua
Tom Homan, enviado de Trump, afirmou à Fox News que o ex-presidente ainda pretende "prosseguir com a deportação em massa" de imigrantes, indicando que a política migratória deve permanecer um ponto de conflito. Enquanto isso, os opositores dessa política continuam se mobilizando de costa a costa, reunindo cerca de mil pessoas em cada evento, em cidades como Nova York e Los Angeles.
O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais opositores do governo Trump, comentou sarcasticamente no X que o presidente russo Vladimir Putin "ficaria orgulhoso" do que está ocorrendo nos Estados Unidos, destacando as divisões políticas profundas que cercam a questão migratória.