Prisão de Andrew Mountbatten-Windsor agrava crise política no Reino Unido
A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente conhecido como duque de York, nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, ocorreu simultaneamente a uma nova onda de revelações envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e falecido em 2019. Este caso reacendeu questionamentos profundos sobre os vínculos de figuras centrais do establishment britânico com Epstein, colocando sob intensa pressão o primeiro-ministro Keir Starmer.
Revelações sobre aliado de Starmer provocam turbulência interna
Keir Starmer enfrentou pedidos de renúncia dentro do próprio Partido Trabalhista após a divulgação de correspondências que indicariam uma relação mais próxima do que se sabia entre Epstein e Peter Mandelson, nomeado pelo premiê como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. O líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar, afirmou publicamente que Starmer demonstrou "mau julgamento" ao manter Mandelson no cargo mesmo sabendo da proximidade entre ele e Epstein, defendendo abertamente sua saída do governo.
O primeiro-ministro, contudo, declarou que desconhecia a extensão completa da relação quando realizou a nomeação e acusou o ex-embaixador de mentir sobre a profundidade dos vínculos. Starmer prometeu permanecer firmemente no cargo e recebeu apoio público de todos os membros de seu gabinete, que avaliaram coletivamente que uma troca de liderança seria extremamente prejudicial à estabilidade do governo.
Demissões e investigações criminais ampliam a crise
Apesar do respaldo interno declarado, a crise política já produziu baixas significativas no governo. Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer e aliado histórico de Mandelson, apresentou sua renúncia. Tim Allan, diretor de comunicações do premiê e também próximo ao ex-embaixador, igualmente deixou o cargo. Esta turbulência política ocorre paralelamente ao avanço das investigações policiais conduzidas pela Thames Valley Police.
A polícia britânica está apurando ativamente se Mandelson cometeu "misconduct in public office" (má conduta em cargo público) ao supostamente compartilhar documentos sensíveis do governo britânico com Epstein durante uma passagem anterior pelo governo. E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que Mandelson teria encaminhado um memorando econômico interno e repassado informações confidenciais sobre uma votação relacionada a um resgate financeiro na União Europeia. Peter Mandelson nega veementemente qualquer ilegalidade em suas ações, assim como Andrew Mountbatten-Windsor rejeita todas as acusações que pesam contra ele.
Documentos governamentais e restrições legais aumentam tensão
O governo britânico concordou em entregar milhares de páginas de correspondência interna relacionadas ao processo de nomeação de Mandelson. Estes documentos podem ser divulgados publicamente a qualquer momento, e auxiliares do premiê em 10 Downing Street admitem, nos bastidores, uma preocupação genuína com o teor do material que será revelado.
No plano jurídico, a polícia britânica emitiu um alerta formal de que o caso está ativo e que a cobertura midiática deve respeitar rigorosamente a legislação que restringe publicações capazes de prejudicar um eventual julgamento. A referência é especificamente à lei de desacato ao tribunal de 1981, que proíbe categoricamente a divulgação de conteúdo que crie "risco substancial" de comprometer o curso da Justiça, norma que se aplica igualmente à imprensa e a cidadãos comuns.
Crise mantém escândalo Epstein no centro da vida pública
A combinação perigosa entre crise política interna e investigação criminal em andamento amplia consideravelmente a pressão sobre o governo trabalhista de Keir Starmer. Este cenário mantém o escândalo Epstein firmemente no centro da vida pública britânica, com potenciais desdobramentos institucionais significativos previstos para as próximas semanas. A estabilidade do governo e a credibilidade do primeiro-ministro continuam sob severo teste enquanto novas revelações podem emergir a qualquer momento.



