Prefeita de Los Angeles exige renúncia de chefe olímpico por vínculo com caso Epstein
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, declarou publicamente nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, que Casey Wasserman deveria renunciar imediatamente à presidência do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de 2028 na cidade. A exigência ocorre após o nome de Wasserman aparecer entre os milhões de páginas de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao financista condenado por crimes sexuais, Jeffrey Epstein.
Posição contrária ao comitê organizador
Em entrevista exclusiva à CNN, a prefeita democrata deixou claro que, embora não tenha autoridade legal para destituir Wasserman do cargo – decisão que cabe exclusivamente ao conselho da entidade responsável pelos Jogos Olímpicos –, sua opinião é firme. "Não posso demiti-lo, mas tenho uma opinião. E minha opinião é que ele deveria renunciar. Essa não é a opinião do conselho", afirmou Bass, destacando a divergência com a posição oficial do comitê.
O comitê organizador do evento esportivo manifestou apoio a Wasserman na semana passada, após contratar um escritório independente para analisar suas interações passadas com a socialite Ghislaine Maxwell e com Epstein. Segundo uma nota oficial divulgada, a revisão concluiu que a relação não foi além do que já havia sido divulgado publicamente e que não há indícios de irregularidades ou conduta ilegal.
Detalhes das ligações com Epstein
As mensagens tornadas públicas datam de 2003, anos antes da primeira prisão de Epstein e quase duas décadas antes da condenação de Maxwell a 20 anos de prisão por tráfico sexual e por sua associação com o financista. Nos e-mails, Wasserman, então com 29 anos, discutia um possível encontro com Maxwell. Não há evidências de atividades criminosas nas trocas de mensagens, mas a mera associação tem gerado polêmica e preocupação.
Diante da repercussão negativa dos arquivos do caso Epstein, Wasserman anunciou na sexta-feira que colocará à venda sua agência de talentos e marketing esportivo e que deixará a gestão cotidiana da empresa para concentrar-se exclusivamente na organização dos Jogos de 2028. Em um memorando enviado a cerca de 4 mil funcionários, ele afirmou que suas "interações limitadas" de duas décadas atrás se tornaram uma distração e pediu desculpas pelo desconforto causado.
Reiteração de inocência e foco nos Jogos
O executivo também reiterou que nunca manteve relação pessoal ou comercial com Epstein, além de ter participado, em 2002, de uma viagem filantrópica à África a bordo de um avião do financista, ao lado do ex-presidente Bill Clinton e outros convidados. Wasserman enfatizou seu compromisso com a transparência e com o sucesso dos Jogos Olímpicos de 2028, mas a pressão política liderada pela prefeita Bass continua a crescer, colocando em xeque sua liderança no comitê.
A situação expõe tensões entre a esfera política e a administrativa na preparação para um dos maiores eventos esportivos do mundo, com a prefeita argumentando que a associação com Epstein é uma distração indesejável que pode manchar a imagem dos Jogos. Enquanto isso, o comitê insiste na falta de provas contra Wasserman, criando um impasse que deve se prolongar nas próximas semanas.



