EUA e Irã encerram terceira rodada nuclear sem acordo e risco de ataque aumenta
Negociações nucleares EUA-Irã sem acordo elevam risco militar

Negociações nucleares entre EUA e Irã terminam sem acordo e elevam risco de confronto militar

A terceira rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã chegou ao fim nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, em Genebra, sem que as partes tenham alcançado qualquer tipo de acordo. O fracasso nas conversas eleva significativamente o risco de um ataque militar contra o território iraniano, em meio a crescentes tensões entre as duas nações.

Posições divergentes e exigências centrais

Os enviados da Casa Branca deixaram a rodada de negociações, que durou aproximadamente seis horas, com uma avaliação profundamente negativa sobre as propostas apresentadas pela delegação iraniana. Segundo informações do site americano Axios, a leitura feita pelos negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner será determinante para a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre ordenar ou não uma ação militar contra o regime de Teerã.

Washington mantém uma exigência central e não negociável: garantias verificáveis de que o Irã não desenvolverá uma arma nuclear. Apesar de alguns sinais de flexibilidade por parte dos negociadores americanos durante as conversas, esta condição permanece como ponto crucial para qualquer avanço nas tratativas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reação iraniana e próximos passos

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que lidera a delegação do país, pediu publicamente que os Estados Unidos abandonem o que classificou como "exigências excessivas" para que seja possível alcançar um acordo viável. Em declaração feita na sexta-feira, Araghchi afirmou que a próxima rodada de negociações deve acontecer em menos de uma semana, demonstrando certa urgência na retomada do diálogo.

"Encerramos o dia com progressos significativos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, em sua conta na rede social X. A declaração contrasta com a avaliação geral de que as conversas não avançaram substancialmente.

Contexto histórico e tensões recentes

A rodada em Genebra representa a terceira tentativa de retomar um acordo nuclear desde a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã. Aquela ofensiva interrompeu negociações anteriores e elevou consideravelmente o risco de um confronto regional mais amplo, que permanece como uma ameaça real.

Em pronunciamento recente ao Congresso norte-americano, o presidente Donald Trump voltou a acusar o Irã de alimentar "ambições sinistras" e classificou o país como uma ameaça global, citando especificamente o alcance de seus mísseis balísticos. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que seria "um grande problema" caso Teerã se recusasse a incluir o arsenal de mísseis nas discussões nucleares.

Preparações para possível confronto

Diante da possibilidade concreta de um ataque militar contra o Irã, a embaixada americana em Jerusalém autorizou a saída voluntária de funcionários não essenciais e de seus familiares. Em comunicado enviado pelo embaixador Mike Huckabee à equipe diplomática, foi recomendado que deixem Israel ainda nesta sexta-feira, indicando o nível de preocupação com a escalada das tensões.

Teerã, por sua vez, advertiu que qualquer ofensiva militar, ainda que limitada em seu escopo, será tratada como um ato pleno de agressão e prometeu retaliação imediata. A postura firme do governo iraniano demonstra que o país não pretende ceder às pressões americanas sem garantir contrapartidas significativas nas negociações.

As próximas semanas serão decisivas para o futuro das relações entre Estados Unidos e Irã, com a possibilidade de uma nova rodada de negociações ou, em cenário mais pessimista, o início de hostilidades militares que poderiam desestabilizar toda a região do Oriente Médio.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar