Khamenei desafia Trump e critica postura dos EUA em negociações nucleares
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, realizou duras críticas à postura dos Estados Unidos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano nesta segunda-feira. Durante um encontro em Teerã com representantes da província do Azerbaijão Oriental, Khamenei afirmou que o presidente Donald Trump não conseguirá enfraquecer a República Islâmica, destacando a resistência do regime após décadas de pressão internacional.
Acusações de imposição prévia e declarações contundentes
Khamenei acusou Washington de tentar impor previamente o resultado das conversas, caracterizando a abordagem norte-americana como incorreta e estúpida. “Eles dizem: ‘Vamos negociar sobre a energia nuclear de vocês, mas o resultado precisa ser que vocês não tenham essa energia’”, declarou o aiatolá, enfatizando que estabelecer condições antes do diálogo é uma prática inaceitável.
As declarações ocorrem em um contexto de tensão crescente, com o governo dos Estados Unidos reforçando sua presença militar na região. Isso incluiu o envio de um porta-aviões ao Golfo Pérsico e a mobilização de outra embarcação, medidas que Khamenei mencionou ao acusar Trump de tentar dominar o povo iraniano.
Resposta às ameaças militares e afirmação de força
O líder iraniano rebateu declarações sobre o poderio militar dos EUA, minimizando a ameaça representada por porta-aviões. “Um porta-aviões é certamente uma máquina perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar”, afirmou Khamenei, sugerindo que forças militares consideradas poderosas podem sofrer golpes devastadores.
Ele também destacou que a própria declaração de Trump, admitindo que os EUA não conseguiram derrubar o regime iraniano após 47 anos da Revolução Islâmica de 1979, representa uma confissão de fracasso. “Ele disse que ainda não conseguiram destruir a República Islâmica. Eu digo: você também não conseguirá”, declarou o aiatolá, reafirmando a resiliência do governo iraniano.
Contexto das negociações e posições divergentes
Enquanto Khamenei fazia essas declarações em Teerã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, participava em Genebra de conversas indiretas com a delegação norte-americana. A equipe dos EUA é liderada pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, em um esforço diplomático contínuo.
Este é o segundo encontro entre Teerã e Washington desde a retomada das negociações, iniciadas no início do mês em Mascate, Omã. As discussões ocorrem após a guerra de 12 dias registrada em junho de 2025, que intensificou as hostilidades na região.
As posições das duas nações seguem distantes e firmes:
- O Irã afirma que não aceitará interromper totalmente o enriquecimento de urânio.
- Teerã também se recusa a limitar seu programa de mísseis balísticos.
- Os Estados Unidos defendem restrições mais amplas como condição essencial para um acordo.
Pressão de Trump e cenário de incertezas
Paralelamente, o presidente Donald Trump tem exercido pressão sobre o Irã, ameaçando com consequências severas caso não haja um acordo nas negociações. Em declarações recentes, Trump afirmou que prefere uma solução diplomática, mas não descarta medidas mais duras se as tratativas sobre o programa nuclear fracassarem.
Essa postura agressiva por parte dos EUA, combinada com a firme resistência iraniana, cria um cenário de incertezas e potencial escalada de conflitos. A comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos em Genebra, onde o futuro das relações entre Irã e Estados Unidos pode ser definido.



