Joe Rogan compara ICE a polícia nazista e critica métodos de Trump
Joe Rogan critica ICE e compara métodos a Gestapo nazista

O influenciador digital e podcaster Joe Rogan, um dos mais famosos apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova polêmica ao comparar os métodos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) com as táticas da polícia de Adolf Hitler na Alemanha nazista. A declaração ocorre em meio à crescente indignação pública após a morte a tiros de uma mulher de 37 anos em Minneapolis por um agente do ICE, Renée Good.

Críticas de um aliado midiático

Joe Rogan, apresentador do podcast mais ouvido dos EUA e uma figura de grande influência entre homens jovens e conservadores, foi crucial para a eleição de Trump em 2024. No entanto, em recentes comentários, ele contestou veementemente a forma como a política de imigração do governo está sendo executada. Embora afirme entender que Trump está cumprindo suas promessas de campanha, Rogan questionou a militarização das operações.

"Não queremos militares armados circulando pelas ruas, prendendo pessoas aleatoriamente, muitas das quais acabam sendo cidadãos norte-americanos que simplesmente não estão com seus documentos no momento", disse Rogan. "Vamos realmente nos transformar na Gestapo? 'Mostre seus documentos'. É isso mesmo que está acontecendo agora?".

Violência e mortes em ascensão sob custódia do ICE

A morte de Renée Good não é um caso isolado. Dados oficiais revelam um cenário sombrio: pelo menos quatro pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início de 2026, e ao menos 30 em 2025. Este foi o ano mais letal para a agência desde sua criação, em 2003. A violência atribuída ao ICE tem alimentado protestos em Minneapolis e em outras cidades americanas.

Além das mortes em centros de detenção, a violência letal durante operações também aumentou. Segundo o veículo norte-americano The Trace, agentes de imigração dispararam armas em pelo menos 16 episódios desde o início de 2025. Em outros 15 incidentes, armas foram apontadas contra pessoas. A ONG Human Rights Watch denuncia uma "militarização violenta das operações de controle migratório" sob o governo Trump.

Orçamento bilionário e poderes ampliados

O governo Trump multiplicou por dez o orçamento para implementar sua política de imigração. Desde julho, o Departamento de Segurança Interna passou a contar com US$ 170 bilhões, com vastos recursos destinados a equipamentos, armas e uniformes para o ICE.

Mais do que dinheiro, a agência recebeu poderes ampliados. Em julho, obteve "autorização total" para adotar medidas que considere necessárias para autoproteção, ampliando significativamente a margem de atuação de seus agentes. "Não havia limites legais claramente definidos nos decretos", explicou o advogado Olivier Piton, especialista em direito público em Washington.

O governo também estabeleceu metas agressivas, pressionando as agências a prenderem 3 mil imigrantes em situação irregular por dia, com o objetivo de aumentar as deportações.

Reação de Trump e ameaça de lei de exceção

Em resposta aos protestos, Donald Trump reagiu com ameaças. Em sua rede social Truth Social, o presidente ameaçou recorrer à Insurrection Act, uma lei que permite o emprego das Forças Armadas para manter a ordem pública. Ele acusou "políticos corruptos de Minnesota" de não protegerem os agentes do ICE contra "agitadores profissionais".

A última vez que essa lei foi acionada foi em 1992. A ameaça de Trump ocorre no contexto de seu segundo mandato, no qual o combate à imigração irregular é um dos principais eixos, apoiado fortemente em uma ICE com poderes drasticamente ampliados.

O distanciamento de apoiadores influentes como Joe Rogan – frequentemente chamado de "o eleitor indeciso mais famoso dos EUA" – e a condenação internacional, incluindo um pedido de explicações do México sobre a morte de um de seus cidadãos sob custódia do ICE, indicam que a política de imigração de Trump continua a gerar forte rejeição e divisão profunda no país.