Infantino defende Prêmio da Paz da Fifa a Trump e fim do veto à Rússia
Infantino defende Prêmio da Paz a Trump e fim do veto à Rússia

Presidente da Fifa defende polêmicas decisões e pede desculpas por declarações

Em uma série de declarações que prometem acirrar debates no mundo do futebol e além, Gianni Infantino, presidente da Fifa, defendeu publicamente a concessão do inédito Prêmio da Paz da entidade a Donald Trump e manifestou apoio à suspensão do veto imposto à Rússia nas competições internacionais. As afirmações foram feitas durante entrevista à Sky News nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, e já geram reações intensas.

Justificativa para o prêmio a Trump e referência a Nobel da Paz

Infantino argumentou que o presidente norte-americano merece o reconhecimento por seu papel em iniciativas de paz. "Objetivamente, ele merece. E não sou só eu que digo isso, uma ganhadora do prêmio Nobel da Paz também disse o mesmo", declarou, em referência à opositora venezuelana María Corina Machado. O dirigente acrescentou que "o que quer que possamos fazer para ajudar a paz no mundo, devemos fazê-lo", justificando a criação do prêmio como forma de recompensar contribuições relevantes.

Posicionamento sobre boicote à Copa do Mundo e veto à Rússia

Questionado sobre possíveis boicotes à Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Canadá, Estados Unidos e México, Infantino foi taxativo ao rejeitar a ideia. "Nunca houve apelos para que as empresas boicotassem o país, então por que futebol?", indagou, defendendo que o esporte deve ser uma ocasião de união em um mundo dividido.

Sobre a Rússia, banida das competições internacionais desde a invasão da Ucrânia em 2022, o presidente da Fifa afirmou que o veto "não resultou em nada, apenas criou mais frustração e ódio". Ele sugeriu que a suspensão seja pelo menos revista nas categorias de base, sinalizando uma possível abertura para reintegração do país.

Pedido de desculpas por comentários sobre torcedores britânicos

Em meio às polêmicas, Infantino também se desculpou por declarações feitas durante o Fórum Econômico Mundial em Davos no mês passado, quando brincou que a Copa do Mundo do Catar em 2022 foi especial porque "pela primeira vez na história, nenhum britânico foi preso". "Primeiro preciso me desculpar. Era para ser mais uma observação alegre", explicou, buscando destacar o caráter pacífico do evento no Catar.

Acusações de violação do Código de Ética da Fifa

As declarações de apoio a Trump não passaram despercebidas. Infantino enfrenta acusações formais de violação do Código de Ética da Fifa, após queixa encaminhada ao Comitê de Ética da entidade. Ele é acusado de "repetidas violações" em pronunciamentos que endossam a figura do presidente norte-americano, levantando questões sobre a neutralidade política do dirigente máximo do futebol mundial.

O episódio ilustra os desafios contínuos da Fifa em equilibrar sua missão esportiva com as complexidades geopolíticas, enquanto seu líder navega por águas turbulentas entre elogios, críticas e pedidos de desculpas.