O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta um isolamento político cada vez mais acentuado desde que o escândalo envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) veio à tona. O processo de desgaste tem colocado em risco seus planos para o Senado.
Planos iniciais e mudança de cenário
Ibaneis deixou o cargo em abril com o objetivo de disputar uma vaga no Senado pelo DF. Inicialmente, o cenário parecia favorável. Bem avaliado, ele entregou o posto à vice-governadora Celina Leão (PP), que formaria com ele e Michelle Bolsonaro uma chapa considerada imbatível. A ideia era que Celina seria reeleita, a ex-primeira-dama ficaria com uma das vagas para o Senado e o ex-governador com a outra.
Em outubro, antes da eclosão do escândalo do Master, uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas mostrava Ibaneis tecnicamente empatado com Michelle na preferência do eleitorado. No entanto, o cenário favorável mudou radicalmente.
Queda nas pesquisas e perda de apoios
Na última pesquisa divulgada pelo instituto Veritá, Michelle continuava na liderança com 29,8%, mas Ibaneis caiu para o terceiro lugar. O escândalo do Master afastou a família Bolsonaro do ex-governador. O ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar uma chapa ‘sangue puro’ do PL para o Senado, indicando a deputada federal Bia Kicis para formar dupla com Michelle. Essa nova composição isolou Ibaneis também da maior cabo eleitoral entre os evangélicos em Brasília, a senadora Damares Alves (Republicanos), que também decidiu apoiar os candidatos indicados por Bolsonaro.
Rompimento com Celina Leão
Para piorar a situação, Ibaneis e Celina Leão estão muito próximos de um rompimento. O afastamento entre os dois ocorreu após Celina anunciar cortes em contratos fechados na gestão do ex-governador. A atual governadora também se distanciou da crise do Master, deixando claro que as conexões do BRB com o banco eram de responsabilidade da gestão anterior.
Ibaneis tem o PT como adversário local e nacional. Isolado e aguardando os desdobramentos do caso Master, o ex-governador tem ouvido conselhos de aliados para desistir do Senado e tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.



