Hillary Clinton depõe sobre caso Epstein e desafia comissão a ouvir Trump sob juramento
Hillary Clinton depõe sobre Epstein e desafia comissão a ouvir Trump

Ex-candidata presidencial testemunha em investigação sobre financiador condenado

A ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos e ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, compareceu nesta quinta-feira perante a Câmara dos Representantes para prestar depoimento na investigação parlamentar sobre Jeffrey Epstein. Em sua declaração inicial, já divulgada nas redes sociais, Clinton afirmou categoricamente não possuir qualquer informação sobre os crimes cometidos pelo financista, que incluem tráfico de pessoas e exploração sexual de menores.

Negativas firmes e desafio aos republicanos

"Como declarei no meu depoimento sob juramento em 13 de janeiro, não tinha ideia das suas atividades criminosas", afirmou Clinton, acrescentando que "nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, suas casas ou seus escritórios". A ex-secretária de Estado foi além em seu testemunho, desafiando diretamente o comitê de maioria republicana a convocar o ex-presidente Donald Trump para depor sob juramento.

"Se este comitê está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em entrevistas sensacionalistas para obter respostas do nosso atual presidente sobre seu envolvimento; perguntaria diretamente a ele, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein", declarou Clinton com firmeza.

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Contexto familiar e críticas à administração Trump

Enquanto Hillary Clinton afirma não se lembrar de uma única vez em que tenha falado ou se encontrado com Epstein, seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, já havia negado anteriormente ter conhecimento dos crimes cometidos pelo empresário. A ex-secretária de Estado também aproveitou o depoimento para criticar duramente a administração Trump por suas políticas relacionadas ao combate ao tráfico humano.

"O relatório anual sobre tráfico humano, exigido por lei, foi atrasado por meses. A mensagem da administração Trump para o povo americano e para o mundo não poderia ser mais clara: combater o tráfico humano já não é uma prioridade dos EUA sob a Casa Branca de Trump", afirmou Clinton, classificando a situação como uma "tragédia" e um "escândalo".

Investigação ampla e tensões políticas

Membros da comissão viajaram até Chappaqua, no estado de Nova York, onde os Clinton residem, para ouvir primeiro Hillary e, na sexta-feira, o ex-presidente Bill Clinton - marcando a primeira vez que um ex-presidente dos EUA é obrigado a depor perante o Congresso. O congressista democrata Robert Garcia, membro da comissão, acusou a Casa Branca de esconder documentos que mencionariam Donald Trump, alguns dos quais detalhariam acusações de abuso sexual contra uma menor.

O presidente da comissão, o republicano James Comer, afirmou que os congressistas têm "muitas perguntas" a fazer, ressaltando que o objetivo é compreender vários aspectos do caso Epstein. "Neste momento, ninguém está acusando os Clinton de qualquer irregularidade. Eles serão submetidos ao devido processo legal, mas temos muitas perguntas", explicou Comer.

Histórico do caso e desdobramentos

Bill Clinton, que viajou várias vezes no jato privado de Epstein e foi fotografado com ele, afirmou em 2019 que não mantinha contato com o financista havia mais de uma década. Os Clinton inicialmente se recusaram a comparecer, alegando tratar-se de uma tentativa de desviar a atenção da relação passada entre Trump e Epstein, mas aceitaram depor após ameaças de acusação por obstrução ao Congresso.

O Departamento de Justiça divulgou, em 30 de janeiro, mais de três milhões de páginas relacionadas ao caso Epstein, algumas com trechos censurados. Desde a divulgação dos arquivos, várias figuras públicas foram mencionadas devido a contatos anteriores com Epstein, embora a simples menção de um nome não implique qualquer irregularidade. Os depoimentos dos Clinton, assim como ocorreu com a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, deverão ser divulgados posteriormente.

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