Uma fonte do governo do Irã afirmou à agência de notícias iraniana Tasnim nesta quarta-feira (5) que há pontos "inaceitáveis" na última proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos. De acordo com a autoridade, citada de forma anônima, Teerã ainda não respondeu Washington sobre o texto enviado, mas ainda não deve ser desta vez que o acordo será fechado.
"O Irã ainda não respondeu a proposta dos EUA, que contém alguns pontos inaceitáveis. As notícias da mídia americana sobre o acordo têm o objetivo de justificar o recuo de Trump de sua mais recente ação hostil no Estreito de Ormuz. Usar uma linguagem ameaçadora contra o Irã é ineficaz e pode piorar a situação para os Estados Unidos", declarou a fonte.
Imprensa dos EUA e fonte do Paquistão falam em acordo próximo
Mais cedo, uma reportagem do site americano Axios afirmava que os dois países estavam próximos de um acordo. À agência de notícias Reuters, uma autoridade do Paquistão envolvida nos esforços de paz disse que a proposta atual é um memorando de uma página e se mostrou otimista: "Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá".
Na rede social X, um parlamentar iraniano, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, Ebrahim Rezaei, no entanto, minimizou as notícias e fez ameaças contra Washington, dizendo que o "Irã tem o dedo no gatilho". "O texto da Axios é mais uma lista de desejos dos americanos do que uma realidade. Os americanos não conseguirão algo que não obtiveram em negociações frente a frente em uma guerra fracassada. O Irã tem o dedo no gatilho e está pronto; se não se renderem e não concederem as concessões necessárias, ou se tentarem fazer travessuras por conta própria ou por seus cães de guarda, daremos uma resposta dura e eles irão se arrepender", escreveu.
A fala da autoridade à Reuters confirmou uma do site norte-americano "Axios", que revelou nesta quarta a existência do memorando e que os EUA esperam uma resposta do Irã nas próximas 48 horas, segundo duas autoridades norte-americanas e outras duas fontes informadas sobre o assunto ouvidas pela reportagem. O Irã está analisando a proposta norte-americana e transmitirá sua resposta via mediadores, disse nesta quarta o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, à agência estatal Isna.
O memorando de uma página contém, entre os termos, uma moratória sobre limitações ao enriquecimento de urânio pelo Irã, em troca dos EUA suspenderem sanções econômicas e liberarem bilhões em ativos iranianos congelados, segundo o "Axios". A proposta também prevê que EUA e Irã suspenderiam seus bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz, de acordo com a reportagem. O trânsito de navios comerciais pela região é um dos pontos mais sensíveis do conflito, e a via marítima foi palco de confrontos entre os dois países nos últimos dias.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Muhammad Ishaq Dar, afirmou que o país está tentando fazer com que o cessar-fogo atual entre EUA e Irã — que ficou ameaçado nesta semana com o embate em Ormuz — leve a um fim permanente da guerra. Os EUA esperam respostas iranianas sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas, segundo a reportagem. Nada foi acordado até o momento, porém a Casa Branca acredita que este é o momento em que os dois países estão mais próximos de um acordo desde o início da guerra.
O governo dos EUA não havia se pronunciado de forma oficial sobre esse memorando até a última atualização desta reportagem. No entanto, o presidente Donald Trump citou um "grande progresso" nas negociações com o Irã quando anunciou na terça-feira a suspensão da operação militar para auxiliar o trânsito de navios por Ormuz. Apesar do otimismo, segundo o "Axios", muitas autoridades da Casa Branca continuam céticas sobre se um acordo preliminar poderia ser assinado por conta do caráter fragmentado da liderança do Irã, que possui muitas autoridades de alto nível, o que dificulta um consenso. Outro ponto de preocupação é que esse memorando possui brechas que poderiam levar à retomada da guerra no futuro.



