EUA condicionam negociações com Cuba à saída de Díaz-Canel, revela NYT
EUA condicionam negociações com Cuba à saída de Díaz-Canel

Revelação do The New York Times expõe condição americana para diálogo bilateral

Um relatório exclusivo do prestigiado jornal The New York Times trouxe à tona informações que podem alterar significativamente o curso das relações entre Estados Unidos e Cuba. De acordo com fontes próximas às conversas diplomáticas, a administração do presidente norte-americano Donald Trump teria sinalizado ao governo cubano que a continuidade e o avanço das negociações entre as duas nações estariam condicionados ao afastamento do atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Esta exigência representa uma das mais ousadas manobras políticas no histórico conturbado entre os países.

Condição para abertura econômica e reformas estruturais

Segundo as fontes ouvidas pelo periódico, a proposta norte-americana inclui explicitamente a saída de Díaz-Canel como um pré-requisito fundamental para que se possa avançar em acordos mais amplos e abrangentes. Integrantes da administração Trump argumentam que a substituição do atual mandatário cubano, que está no poder desde 2018, poderia abrir caminho para reformas econômicas e estruturais na ilha, consideradas pouco prováveis sob sua liderança. O objetivo declarado das negociações, segundo autoridades americanas, é promover uma abertura gradual da economia cubana para empresas e investidores dos Estados Unidos.

O país caribenho é governado por um régime comunista há mais de seis décadas, e Díaz-Canel, de 65 anos, é o primeiro governante em décadas que não pertence à família Castro, que manteve o controle político desde a Revolução de 1959. Curiosamente, as mesmas fontes indicam que, até o momento, Washington não estaria buscando mudanças diretas envolvendo membros da família Castro, que ainda exercem influência considerável no cenário político cubano.

Valor simbólico e pressões econômicas

Uma das fontes anônimas revelou ao jornal que a saída do presidente cubano também teria um imenso valor simbólico para Donald Trump. O gesto poderia ser apresentado internamente como uma vitória política significativa diante de um governo historicamente adversário dos Estados Unidos. Negociadores americanos também defendem, como parte das exigências, o afastamento de figuras antigas do regime associadas às diretrizes de Fidel Castro, além da liberação de presos políticos.

Como forma de pressionar o governo cubano, a administração Trump teria adotado medidas econômicas contundentes, incluindo o bloqueio de importações de petróleo estrangeiro para a ilha. Esta estratégia de pressão coincide com um momento de vulnerabilidade para Cuba, que nesta segunda-feira enfrentou um extenso apagão que deixou grande parte do território sem energia elétrica.

Posição não é ultimato, mas proposta condicional

Importante destacar que, segundo o New York Times, a posição americana não foi apresentada como um ultimato formal, mas sim como uma proposta que poderia facilitar avanços substantivos nas negociações. Representantes cubanos envolvidos nas conversas teriam reconhecido, em tom reservado, dificuldades na atual gestão, mas ressaltaram a necessidade crucial de conduzir qualquer mudança política sem aparentar interferência direta da Casa Branca, preservando a soberania nacional.

Do lado americano, no entanto, a sinalização é clara e firme: um acordo bilateral não será fechado enquanto Miguel Díaz-Canel permanecer no poder. Seu mandato presidencial ainda tem cerca de dois anos pela frente, e ele também ocupa a liderança do Partido Comunista Cubano.

Contexto de protestos e declarações de Trump

O governo Díaz-Canel tem sido marcado por desafios internos significativos. Durante sua administração, Cuba registrou os maiores protestos populares recentes, ocorridos em julho de 2021, refletindo o descontentamento de parte da população. Paralelamente, desde janeiro, o governo Trump impôs um rigoroso embargo energético à ilha, intensificando as dificuldades econômicas.

Em um tom que reflete sua postura assertiva, o próprio Donald Trump chegou a declarar publicamente que "acredita ter a honra de tomar Cuba", embora não tenha detalhado o significado prático dessa afirmação. O governo cubano, por sua vez, confirmou na sexta-feira, 13 de março, que está efetivamente em negociações com os Estados Unidos, mas não comentou oficialmente as informações específicas reveladas pelo jornal norte-americano sobre a condição envolvendo seu presidente.

Caso o governo cubano aceite remotamente essa possibilidade, o movimento representaria uma das mudanças políticas mais significativas no contexto das relações bilaterais nas últimas décadas, com potenciais repercussões geopolíticas e econômicas de longo alcance para toda a região do Caribe e para a política externa americana.