Nova onda de protestos estudantis desafia regime iraniano
Estudantes iranianos iniciaram uma nova onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei neste fim de semana, desafiando a repressão governamental e homenageando as vítimas da violência estatal. As manifestações tomaram conta de ao menos cinco universidades na capital Teerã e na cidade sagrada de Mashhad, locais que foram epicentros dos protestos de janeiro que deixaram milhares de mortos.
Manifestações estudantis ganham força nas universidades
Imagens e vídeos divulgados nas redes sociais mostram estudantes marchando pelos campi universitários, realizando homenagens aos mortos na repressão governamental e proferindo críticas diretas ao líder supremo do país. Os manifestantes foram ouvidos chamando Ali Khamenei de "líder assassino" e pedindo o retorno de Reza Pahlavi, filho exilado do xá deposto do Irã, para assumir o comando da nação.
Simultaneamente, grupos pró-governo organizaram contraprotestos, queimando bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de uma imagem do presidente americano Donald Trump. A agência de notícias Fars, vinculada ao regime iraniano, afirmou que as manifestações estudantis visavam "enviar imagens para meios de comunicação anti-Irã".
Repressão violenta e tensões internacionais
Nas imagens dos protestos, é possível observar integrantes da Basij, forças paramilitares voluntárias apoiadas pelo regime, atacando e ameaçando estudantes na Universidade de Teerã. Esta nova onda de protestos ocorre pouco mais de um mês após a violenta repressão das autoridades contra manifestantes em janeiro, quando estima-se que pelo menos 6.100 pessoas tenham sido mortas pelas forças de segurança, segundo organizações não governamentais.
As manifestações estudantis se desenvolvem em meio a uma escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que negociam um possível acordo para limitar o programa nuclear iraniano. O presidente americano Donald Trump teria dito a assessores que poderá autorizar um ataque militar limitado contra o Irã nos próximos dias e, caso a medida não leve Teerã a abandonar seu programa nuclear, considerar uma ofensiva mais ampla nos próximos meses.
Negociações nucleares em momento decisivo
A ameaça militar ocorre às vésperas de uma rodada considerada decisiva de negociações entre representantes dos dois países, marcada para quinta-feira em Genebra. O encontro é visto como a última tentativa diplomática para evitar um conflito aberto entre as nações.
O Irã, por sua vez, afirmou estar pronto para encontrar uma solução diplomática sobre seu programa nuclear junto aos Estados Unidos, mas reiterou que se defenderá em caso de ações militares. A posição foi exposta pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira, demonstrando a complexidade do momento político internacional que envolve o país.



