Espanha e Alemanha Recusam Convite de Trump para Integrar 'Conselho da Paz'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, o chamado "Conselho da Paz", uma estrutura criada para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, com possibilidade de expansão para outros conflitos internacionais no futuro. Cerca de 60 países receberam convites para integrar a iniciativa, gerando reações diversas no cenário global.
Adesões e Rejeições ao Conselho da Paz
Dos países convidados, ao menos 23 já aceitaram o convite, enquanto seis optaram por recusar a participação. Entre os que aderiram, destacam-se nações alinhadas a Trump, como Argentina e Israel, que estiveram entre as primeiras a anunciar sua entrada. A lista de aceites inclui também países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hungria e Turquia.
Por outro lado, Espanha e Alemanha estão entre os países que rejeitaram o convite, juntamente com França, Noruega, Eslovênia e Suécia. Muitas nações europeias veem a iniciativa com preocupação, temendo que ela possa enfraquecer as Nações Unidas como um todo. O Canadá teve seu convite cancelado por Trump após uma troca de farpas com o primeiro-ministro Mark Carney no Fórum Econômico Mundial.
Detalhes Polêmicos do Conselho da Paz
De acordo com uma cópia do estatuto obtida pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo, o que levanta questões sobre a autonomia e transparência do conselho. Além disso, países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,3 bilhões, com os recursos sendo administrados diretamente por Trump.
Diplomatas internacionais têm alertado que essa medida pode minar a autoridade das Nações Unidas, criando um sistema paralelo que desafia o multilateralismo estabelecido. A iniciativa é vista por alguns como um atestado da falência do atual sistema, especialmente diante da incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em resolver crises como a de Gaza.
Posição do Brasil e Críticas de Lula
O Brasil está entre os países que ainda analisam a proposta, sem pressa para dar uma resposta definitiva. O governo de Lula pretende enviar pedidos de esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas no estatuto do conselho, em vez de uma resposta direta.
Em declarações recentes, o presidente Lula criticou veementemente o Conselho da Paz, afirmando que o mundo vive um momento "muito crítico" politicamente e que a Carta da ONU está sendo "rasgada". Ele argumentou que, em vez de corrigir a ONU com a inclusão de novos países como Brasil, México e nações africanas, Trump propõe criar uma nova organização como se fosse seu proprietário exclusivo.
A estratégia brasileira será usar o debate em torno do novo órgão para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral prevista para setembro. Fontes diplomáticas indicam que o Brasil alertará que, sem mudanças, o mundo poderá ser governado por modelos unilaterais como o de Trump.
Impacto no Cenário Internacional
A criação do Conselho da Paz por Trump tem gerado divisões significativas na comunidade internacional. Enquanto alguns países veem a iniciativa como uma oportunidade para ação mais direta em conflitos, outros a encaram como uma ameaça à ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Diplomatas destacam que o sucesso do novo conselho dependerá de sua capacidade de resolver crises como a de Gaza. Se Trump conseguir parar o que alguns chamam de genocídio na região, isso poderá ser visto como prova de que a ONU não funciona mais no formato atual, acelerando possíveis transformações no sistema global de governança.