Equador retira embaixador em resposta a declarações de Petro sobre ex-vice-presidente
O Equador convocou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, seu embaixador na Colômbia, Arturo Félix, para consultas em Quito. A medida ocorre após o presidente colombiano, Gustavo Petro, reiterar publicamente que o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, detido desde 2024 por condenações por corrupção, é um "preso político" do governo de Daniel Noboa.
Declarações que acirram tensões diplomáticas
A ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, confirmou que o embaixador "chegará hoje ou amanhã" à capital equatoriana. Em entrevista à Rádio Centro, Sommerfeld afirmou que os comentários do presidente colombiano violam o princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países, considerado fundamental nas relações internacionais.
Na segunda-feira, 6 de abril, Petro utilizou a rede social X para declarar que Glas, a quem concedeu nacionalidade colombiana em 2023, é um "preso político" e pediu sua libertação imediata. "Pedi que não houvesse presos políticos em nenhum país da América. Não há dúvidas que Jorge Glas é um preso político", escreveu o mandatário colombiano.
Resposta firme do governo equatoriano
Sem mencionar diretamente Glas, o presidente equatoriano Daniel Noboa respondeu rejeitando categoricamente a existência de presos políticos em seu país. Noboa alertou que esse tipo de alegação constitui uma interferência clara na soberania nacional e nos processos judiciais equatorianos.
Após a declaração de Noboa, Petro intensificou sua posição com uma nova publicação na terça-feira, 7 de abril, afirmando que "Jorge Glas é um cidadão colombiano e é um preso político". O presidente colombiano ainda solicitou a intervenção de organismos internacionais de direitos humanos para garantir os direitos de Glas.
Alegações sobre condições de saúde na prisão
No mesmo post, Petro fez graves acusações sobre as condições de detenção de Glas: "Seu estado de saúde já compromete sua vida, porque, na prisão, não lhe deram alimento suficiente e ele sofre uma severa desnutrição e perda de massa muscular". O presidente colombiano chegou a afirmar que "deixar uma pessoa morrer de fome estando sob o cuidado de um governo é um crime contra a humanidade".
Contexto do caso Jorge Glas
Jorge Glas, que foi vice-presidente durante o governo de Rafael Correa entre 2013 e 2017, está preso desde abril de 2024. Sua detenção ocorreu após ser retirado à força da embaixada mexicana em Quito, onde estava asilado desde dezembro de 2023. Anteriormente, Glas já havia sido condenado por suposta participação no caso de corrupção da empreiteira Odebrecht no Equador, um dos maiores escândalos de suborno da história latino-americana.
Esta não é a primeira vez que Petro se pronuncia sobre o caso. Desde que assumiu a presidência da Colômbia em 2022, o líder de esquerda tem defendido publicamente Glas, gerando tensões recorrentes nas relações bilaterais entre os dois países vizinhos.
A convocação do embaixador representa uma escalada significativa no conflito diplomático, com o Equador demonstrando disposição de tomar medidas concretas em resposta ao que considera "ingerência inaceitável" em seus assuntos internos. Analistas políticos observam que a crise ocorre em um momento delicado para a região, com governos de diferentes orientações ideológicas frequentemente divergindo sobre questões de soberania e direitos humanos.



