Pentágono mobiliza 2 porta-aviões rumo ao Irã após protestos e tensão
Dois porta-aviões dos EUA rumam ao Irã em meio a tensão

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos colocou em movimento dois poderosos grupos de porta-aviões em direção ao Irã, mantendo uma pressão militar significativa sobre o país. A ação ocorre mesmo após o presidente Donald Trump ter sinalizado uma redução na expectativa de um ataque iminente, citando uma pausa na repressão violenta aos protestos que abalam a nação do Oriente Médio desde o final de 2025.

Movimentação Naval em Segredo

Não existem confirmações oficiais sobre as missões específicas dos grupos de combate centrados no USS Abraham Lincoln e no USS George H. W. Bush. As informações são baseadas em múltiplos relatos de autoridades anônimas e em imagens de satélite analisadas por especialistas. O que se sabe com certeza é que ambas as embarcações deixaram suas áreas de operação originais e estão navegando em direção a posições que permitiriam um ataque ao território iraniano.

O grupo do USS Abraham Lincoln, que inclui três destróieres e um submarino de propulsão nuclear, começou sua movimentação a oeste do Mar do Sul da China. Imagens de satélite capturaram o momento em que o gigantesco navio de guerra nuclear realizou uma manobra de virada rumo ao Mar da Arábia. Com mais de 5.000 tripulantes a bordo, incluindo pilotos dos caças de quinta geração F-35C Lightning 2 e dos F/A-18 Super Hornet, o Lincoln carrega um poderio aéreo formidável. Sua escolta, por sua vez, possui um grande arsenal, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk, a arma preferencial para ataques de precisão a longa distância. Estima-se que o grupo possa chegar à área de operações potencial em uma ou duas semanas.

Bush Parte sem Aviso e Roosevelt se Reposiciona

Enquanto isso, o USS George H. W. Bush partiu de seu porto em Norfolk, na costa leste dos Estados Unidos, na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, sem qualquer aviso prévio. Simultaneamente, para cobrir a lacuna deixada pelo Lincoln no teatro de operações do Pacífico, o USS Theodore Roosevelt deixou sua base em San Diego.

O Bush encontra-se atualmente no Atlântico Norte. Sua área de operação habitual é o Mar Mediterrâneo, cuja porção leste é considerada uma zona de ataque ideal para ações contra o Irã. A doutrina militar americana prevê, em cenários de conflito, o posicionamento de um grupo de porta-aviões nessa região e outro ao sul do Golfo Pérsico. Como não houve um comunicado oficial sobre sua missão, é possível que o navio esteja apenas realizando exercícios de treinamento no oceano. Contudo, se rumar diretamente para a costa de Israel com uma escolta semelhante à do Lincoln, sua chegada ao teatro de operações poderia ocorrer em duas semanas ou menos.

Pressão Militar como Ferramenta Política

A movimentação pode ser interpretada como um reforço de precaução. Quando os sinais de um possível ataque de Trump começaram a se acumular, as Forças Armadas dos EUA enfrentavam um problema logístico: nenhum grupo de porta-aviões estava posicionado na região. Embora um ataque possa ser realizado com mísseis de longo alcance ou com bombardeiros furtivos B-2 – como ocorreu na ação que destruiu instalações nucleares iranianas em 21 de junho do ano passado –, a presença de porta-aviões garante um poder de fogo muito maior em proximidade e oferece proteção antimíssil para as cerca de 20 bases que os Estados Unidos mantêm no Oriente Médio.

Relatos na imprensa americana também indicam o deslocamento de outros ativos, como sistemas de defesa aérea, caças e bombardeiros, para bases na região. No auge da tensão, na quarta-feira, 14 de janeiro, as bases americanas começaram a evacuar pessoal não essencial, inclusive na principal instalação de Washington na área, Al-Udeid, no Catar.

Foi nesse mesmo dia, porém, que Trump afirmou ter sido informado por uma alta autoridade iraniana de que "a matança havia parado" no país, em referência à morte de mais de 3.500 manifestantes contrários ao regime islâmico desde o final de 2025. A repressão violenta vinha sendo usada pelo presidente americano como justificativa principal para uma ação militar.

Ambiguidade e Pressões Regionais

Com toda essa mobilização, a grande dúvida é se o governo americano deseja apenas manter uma opção de ataque disponível ou se empregou uma cortina de fumaça com sua declaração mais comedida. Como o deslocamento dos navios é um processo lento, Trump poderá manter a ambiguidade por um bom tempo.

Pressões de aliados regionais pesam contra uma ação militar direta. Até mesmo Israel, que lutou uma guerra aérea de 12 dias com o Irã no ano anterior e saiu vitorioso, mas com danos, demonstra cautela. O jornal Washington Post relatou que o governo de Binyamin Netanyahu e o regime do Aiatolá Ali Khamenei estabeleceram comunicação por meio da Rússia, prometendo não atacar um ao outro caso os Estados Unidos partissem para uma ação militar.

Para os rivais árabes do Irã, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a maior preocupação é com a disrupção do comércio mundial de energia. Cerca de 20% do petróleo e 20% do gás natural liquefeito do planeta passam pelo Estreito de Hormuz, uma via marítima estrategicamente controlada pelo Irã. Qualquer conflito aberto na região traria consequências econômicas globais imediatas.