Democrata acusa Casa Branca de encobrir informações sobre Trump em arquivos do caso Epstein
O principal democrata em um comitê do Congresso dos Estados Unidos que investiga o caso Epstein acusou nesta quinta-feira (26) a Casa Branca de encobrir revelações sobre o presidente Donald Trump em documentos relacionados ao falecido criminoso sexual. A declaração foi feita pelo deputado Robert Garcia, líder democrata no Comitê de Supervisão e Responsabilidade do Governo da Câmara dos Deputados norte-americana.
Acusação durante depoimento de Hillary Clinton
A fala de Garcia ocorreu durante o depoimento da ex-secretária de Estado Hillary Clinton perante o comitê, que investiga o escândalo Epstein. O deputado afirmou que "o Departamento de Justiça continua a liderar um encobrimento da Casa Branca" e anunciou a intenção de "colocar o presidente Trump diante do nosso comitê para responder às perguntas que estão sendo feitas em todo o país pelos sobreviventes".
Garcia também questionou a validade da convocação de Hillary Clinton e de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, para depor. Os Clinton são adversários políticos de Trump e o comitê atualmente é dominado por republicanos, levando a oposição a afirmar que a convocação do casal ocorreu por motivos políticos.
Contexto das acusações
A acusação de Garcia contra a Casa Branca conversa com uma denúncia do jornal norte-americano "The New York Times", que apontou que a maior parte dos registros de uma denúncia de agressão sexual contra Trump não consta nos arquivos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Hillary e Bill Clinton são citados algumas vezes nos arquivos Epstein, e o ex-presidente aparece em fotos junto com mulheres, porém nenhum dos dois foi acusado de qualquer crime. A ex-secretária de Estado disse nesta quinta-feira não ter informação alguma sobre esquema de abuso sexual liderado por Epstein.
Confronto político entre democratas e republicanos
A convocação do casal Clinton para testemunhar na comissão é uma reivindicação dos republicanos, que são a maioria dos integrantes do Comitê de Supervisão. As sessões serão gravadas e transcritas, mas não deve haver transmissão pública.
Em janeiro deste ano, o casal Clinton divulgou uma carta denunciando perseguição por parte do presidente do comitê, o deputado republicano James Comer. Eles chegaram a ser alvo de uma denúncia de desacato pela recusa em depor, o que poderia acarretar em consequências legais.
O casal Clinton e democratas acusam os republicanos de tentar desviar a atenção das relações próximas de Epstein e o atual presidente dos EUA, Donald Trump. O republicano é mencionado diversas vezes nos arquivos do caso e também aparece em fotos com o milionário.
Evidências nos arquivos de Epstein
Arquivos revelados no fim do ano passado mostram um e-mail enviado por Epstein a Wolff, em janeiro de 2019. Na mensagem, o milionário diz que Trump "sabia" sobre as "garotas". O porta-voz de Clinton afirmou que o ex-presidente rompeu relações com Epstein muito antes de os crimes virem à tona.
"Eles podem divulgar quantas fotos de mais de 20 anos quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton", disse o porta-voz Angel Ureña na época, em resposta às acusações.



