Cuba enfrenta crise energética e pressão dos EUA em meio a apagões históricos
Cuba sofre com apagões e pressão dos EUA em crise energética

Cuba em crise: apagões frequentes e pressão internacional abalam a ilha

Nos últimos dois anos, Cuba registrou quatro apagões extensos que afetaram todas as regiões do país, com um agravamento significativo desde fevereiro de 2024, quando dez interrupções generalizadas de energia abalaram profundamente a economia e o ânimo da população. Esta crise energética ocorre em um contexto de aumento da pressão do bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, forçando o governo cubano a iniciar negociações diretas com Washington em busca de alívio.

Retórica de Trump e isolamento internacional

O ex-presidente norte-americano Donald Trump reiterou recentemente suas ameaças de assumir o controle da ilha, declarando que poderia fazer "qualquer coisa" com o país caribenho. Estas declarações aumentaram as especulações de que os principais líderes cubanos poderiam enfrentar um destino semelhante ao do ex-líder venezuelano, Nicolás Maduro, preso em janeiro. A prisão de Maduro não apenas demonstrou a disposição agressiva de Trump, como também deixou o regime cubano sem um de seus principais aliados e fornecedores de petróleo, aprofundando a crise energética.

As relações entre Estados Unidos e Cuba sempre foram espinhosas, com a ilha localizada a cerca de 150 quilômetros da Flórida. Desde a revolução de 1959 liderada por Fidel Castro, o regime comunista tem se mantido como um desafio consistente para a influência norte-americana na região. Durante a Guerra Fria, Cuba era vista como um ponto de entrada para outros Estados comunistas, como a União Soviética e a China. Embora o ex-presidente Barack Obama tenha buscado uma aproximação, os esforços foram revertidos por Trump durante seu primeiro mandato, de 2017 a 2021.

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Impacto econômico e escassez de energia

A escassez de energia é apenas um aspecto, embora significativo, da atual crise econômica cubana. De acordo com o economista cubano Elias Amor, residente na Espanha, a economia do país encolheu em média 2,75% ao ano desde o início da pandemia de covid-19 em 2020, com uma retração que aumentou para 5% em 2025. "A economia cubana está em seu pior estado desde o 'Período Especial'", observou Amor, referindo-se à profunda recessão após o colapso da União Soviética na década de 1990.

O governo cubano afirma que o país não recebe carregamentos de petróleo há três meses, enquanto a produção interna, em queda há anos, cobriu menos de 30% da demanda em 2024. Esta situação agrava os apagões, já que a principal fonte de energia local ainda são as usinas termoelétricas movidas a petróleo. A produção interna insuficiente e o bloqueio externo criam um cenário de escassez crônica e instabilidade.

Pressão interna e perspectivas de mudança

Aparentemente, foi a enorme pressão interna e externa que forçou o regime cubano à mesa de negociações. O presidente cubano confirmou recentemente que as conversas aconteceriam, como Trump havia anunciado no início de março. O vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva, sobrinho-neto dos irmãos Castro, afirmou que Cuba está aberta a permitir o comércio com empresas americanas e a permitir que cubano-americanos invistam em empresas locais.

No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, um dos americanos de ascendência cubana mais proeminentes, declarou que os esforços do regime não foram "suficientemente drásticos". Ele afirmou que o sistema político e governamental não poderia ser consertado e que a economia não está funcionando, exigindo mudanças radicais. A diáspora cubana nos Estados Unidos constitui um importante bloco eleitoral, especialmente na Flórida, influenciando a política externa norte-americana.

Futuro incerto e papel da família Castro

Especialistas apontam que, apesar da grave situação econômica, o regime cubano pode não estar à beira do colapso. Maria José Espinosa, diretora do Centro para o Engajamento e Ativismo nas Américas, baseado em Washington, destaca que o aparato estatal permanece relativamente coeso, incluindo o partido comunista, as forças de segurança e o sistema militar-econômico.

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Ted Henken, professor da City University of New York, argumenta que somente os militares e a família Castro seriam realmente capazes de introduzir mudanças fundamentais no país. "É a família Castro que controla e dirige as negociações com os Estados Unidos", afirmou. Figuras como o neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo, conhecido como El Cangrejo, e o vice-primeiro-ministro Pérez-Oliva estão ganhando importância, indicando que podem representar os interesses da família Castro no futuro governo.

Em resumo, Cuba enfrenta uma crise multifacetada com apagões frequentes, pressão internacional crescente e a pior recessão econômica em três décadas. As negociações com os Estados Unidos e as possíveis reformas internas serão cruciais para determinar o destino da ilha nos próximos anos, em um contexto de incerteza e desafios históricos.