Cuba se declara preparada para ofensiva americana após ameaças de Trump
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio, afirmou categoricamente que a ilha caribenha está preparada para qualquer ofensiva militar dos Estados Unidos. A declaração ocorre em resposta às crescentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, que recentemente intensificou sua retórica sobre uma possível "tomada" do território cubano.
Diálogo bilateral em meio a tensões históricas
No início deste mês, Havana e Washington abriram canais de diálogo para identificar problemas bilaterais que necessitam de solução, conforme informou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. No entanto, este processo diplomático ocorre paralelamente ao agravamento da crise econômica cubana, exacerbada pelo bloqueio de petróleo imposto pela administração Trump.
"Nosso país historicamente esteve pronto para se mobilizar como nação para uma agressão militar. Não acreditamos que seja algo provável, mas seríamos ingênuos se não nos preparássemos", declarou de Cossio em entrevista à emissora americana NBC, transmitida no domingo passado.
Mudança de regime está fora de cogitação
O vice-ministro cubano foi enfático ao rejeitar qualquer sugestão de que a estrutura governamental da ilha esteja sujeita a negociação com os Estados Unidos. Segundo informações do jornal The New York Times, membros do governo Trump teriam solicitado a destituição de Díaz-Canel sem a intenção de derrubar completamente o regime comunista, seguindo modelo similar ao aplicado na Venezuela pós-Nicolás Maduro.
Contudo, de Cossio afirmou que uma mudança de regime está "absolutamente" fora de cogitação nas discussões com o governo americano. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também negou que este seja o plano oficial da Casa Branca.
Negativas oficiais e preparativos militares
Na última quinta-feira, o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos, afirmou ao Senado durante audiência sobre o aumento da presença militar na região que as forças americanas não estão se preparando para uma invasão a Cuba, nem para tomar o controle da ilha.
No entanto, Donovan declarou que o Pentágono está pronto para:
- Lidar com quaisquer ameaças à embaixada americana em Havana
- Defender sua base na Baía de Guantánamo
- Auxiliar o governo Trump no manejo de fluxos migratórios em massa da ilha, se necessário
Crise energética agrava situação econômica
Cuba sofreu um impacto econômico devastador desde que os Estados Unidos efetivamente bloquearam suas compras de petróleo no início deste ano. Esta medida privou a antiga rede elétrica cubana de sua principal fonte de combustível, resultando em:
- Colapso nacional da rede elétrica na semana passada
- População de 10 milhões de habitantes obrigada a cozinhar com gás e utilizar tochas e velas
- Redução do horário de aulas em escolas
- Adiamento de eventos esportivos
- Acúmulo de lixo em bairros devido à falta de combustível para caminhões de coleta
A crise energética se intensificou após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro pelas forças americanas, o que interrompeu abruptamente os envios de combustível de Caracas - principal fornecedor de Cuba nos últimos 25 anos.
Retórica presidencial e resistência cubana
Donald Trump não esconde seu desejo por uma mudança no regime castrista, chegando a declarar que Cuba "vai cair muito em breve" e sugerindo uma "tomada amigável" da ilha. "Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amigável de Cuba", afirmou o presidente americano.
Em contrapartida, Díaz-Canel reiterou que qualquer tentativa de invasão será recebida com "resistência inabalável". Enquanto isso, as Nações Unidas negociam com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para fins humanitários, em meio a uma das piores crises energéticas da história recente do país caribenho.



